Abril 02, 2026
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O setor bancário segue reduzindo postos de trabalho, como mostra a Pesquisa do Emprego Bancário nº38, mais recente análise do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), de 2025, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Enquanto que, entre janeiro e dezembro do ano passado, o mercado de trabalho brasileiro, como um todo, apresentou a abertura de 1,28 milhão de empregos com carteira assinada, no setor bancário ocorreu a eliminação de 8.910 postos. Ao longo de 2025, somente em fevereiro houve saldo positivo, ou seja, mais admissões do que demissões no setor bancário. 

O Dieese aponta que esse resultado só não foi pior porque a Caixa Econômica Federal apresentou saldo positivo de 1.185 empregos no período.

A redução de postos de trabalho bancário também ocorreu em quase todas as regiões do país, com ressalvas ao Centro-Oeste, puxado pelo Distrito Federal, que apresentou saldo positivo de 862 postos, devido à maior presença de bancos públicos na localidade.

O rebaixamento salarial também foi identificado em 2025, com o salário médio dos admitidos (R$ 7.906) correspondendo a 91,09% da média salarial dos desligados (R$ 8.679).

A análise do Dieese revelou ainda a manutenção de assimetrias de gênero, etária, racial e salarial no setor bancário, portanto:

  • Saldo negativo de emprego superior entre mulheres, mulheres negras e homens negros, em relação aos homens não negros; 
  • Saldo positivo de empregos somente para as faixas etárias de até 29 anos; e
  • Salário médio mensal médio de admitidos e demitidos maior para os homens não negros em relação aos demais grupos.

A seguir, o levantamento do Dieese com mais detalhes:


Movimentação do emprego

Ao longo de 2025, entre admissões e demissões, o saldo no setor bancário ficou negativo em 8.910 postos. Somente os chamados "Bancos Múltiplos, com carteira comercial", ou seja, empresas como os bancos tradicionais (a exemplo de Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil), foram responsáveis por 9.138 postos fechados no setor e enquanto a Caixa Econômica foi responsável pela abertura de 1.185 postos de trabalho.

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Em relação à toda a movimentação, em 12 meses, o setor bancário desligou 45.381 pessoas e admitiu 36.471. Do total de desligamentos, as demissões sem justa causa representaram 56,3%, seguida das que ocorreram a pedido do trabalhador (35,9%).


Assimetrias de gênero, raça e etária

Do saldo negativo total (8.910), 5.667 foram entre as mulheres contra 3.243, entre os homens. As mulheres negras (pretas e pardas) representaram 14,8% entre admitidos e 13,9% dos demitidos, mas ainda assim os postos de trabalho de negras apresentaram saldo negativo (-907).

Considerando todos os grupos raciais, as admissões de pessoas negras (homens e mulheres) representaram 33,9% e nos desligamentos 30,6%.

Em relação à faixa etária, só houve saldo positivo nos grupos de até 29 anos (+5.638 vagas), contra o saldo negativo de 14.545 postos entre todas as demais faixas etárias.

A questão de raça e gênero também é refletida na questão salarial. Em 2025, enquanto homens não negros apresentaram remuneração média de R$ 9.644 na admissão e de R$ 10.484 no desligamento, as mulheres não negras apresentaram médias salariais 43,7% (R$ 5.424) e 41,3% (R$ 6.151) inferiores aos homens não negros na admissão e no desligamento, respectivamente.

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TI apresenta saldo positivo de contratações no setor

Entre todas as áreas ocupacionais do banco, a de Tecnologia da Informação (TI) foi uma das poucas com saldo positivo. Em 2025, foram 6.314 admissões e 5.469 demissões, resultando na abertura de 845 vagas. O Dieese pontua também que a contratação de homens foi predominante nesta área, correspondendo a 78,3% contra 21,7% de mulheres.

Por outro lado, áreas tradicionais tiveram movimentação inversa, com destaque maior para Bancária/Financeira (fechamento de 9.277 vagas), sendo -5.420 entre mulheres e -3.857 entre os homens. Mais uma evidência do maior impacto negativo sobre o emprego feminino.

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Importância das lutas por igualdade de oportunidades e pela redução da jornada

No relatório, o Dieese avalia que esse aprofundamento da desigualdade de gênero no setor bancário reforça a importância a Lei de Igualdade Salarial, sancionada e regulamentada pelo Governo Federal em 2023.

Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), ressalta que a medida ainda enfrenta desafios de implementação devido às resistências cultural e estrutural.

"A instituição desta lei veio de uma reivindicação histórica das trabalhadoras e foi um primeiro passo, muito importante, no combate a um conjunto de fatores culturais e que normalizam, ainda hoje, a discriminação salarial de gênero e de raça”, observou. “Atualmente, o movimento sindical atua contribuindo com esta lei na conscientização e na fiscalização. Nas mesas de negociação também temos exigido que as empresas acelerem o passo para garantir paridade remuneratória entre homens e mulheres que exercem a mesma função", explicou, lembrando em seguida que a categoria bancária conquistou, na última renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o compromisso dos bancos de repudiarem a discriminação salarial e apoiarem a Lei de Igualdade Salarial.

A dirigente ressaltou que o tema é objeto de debate frequente da Mesa de Igualdade de Oportunidades. "Essa mesa, conquistada pela categoria há 23 anos, é um fórum permanente por meio do qual avançamos em pautas fundamentais sobre diversidade, combate ao assédio, inclusão das populações mais vulneráveis (como trans e pessoas com deficiência), além do debate sobre igualdade salarial. O ‘Mais Mulheres na TI’, programa de capacitação e inserção de mulheres na tecnologia, por exemplo, é fruto desta mesa", completou.

Até dezembro passado, o “Mais Mulheres na TI” formou cerca de 3.100 mulheres, com bolsas de estudo pagas pelos bancos, como reivindicação do movimento sindical bancário, estabelecida na última CCT.

A questão dos impactos tecnológicos sobre todo o setor bancário é inclusive um tema reforçado reiteradamente pelo movimento sindical nas mesas de negociação com as empresas.

“Além de negociar com os bancos a concessão de bolsas de estudos e a requalificação profissional, para que os trabalhadores acompanhem as transformações tecnológicas, também defendemos que os impactos dos avanços tecnológicos no setor podem ser assimilados positivamente, pela sociedade e categoria, com a implementação da redução da jornada”, explicou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT.

Segundo a dirigente, a jornada de quatro dias, entre os bancários que hoje realizam a jornada média de 37 horas semanais, teria o potencial de criar mais de 108 mil vagas no setor, ou 25% do total de vagas que existem atualmente.

“Vale destacar que, em 2025, o lucro conjunto só dos três maiores bancos privados do país (Itaú, Santander e Bradesco) foi de R$ 87 bilhões. Ou seja, mesmo diante de recordes de lucro, continuam com o processo de fechamento de agências e enxugamento de postos de trabalho. E isso contraria a responsabilidade social que as empresas do setor bancário devem ter e que envolve práticas que beneficiem toda a sociedade e não a concentração de renda”, concluiu Juvandia.

Fonte: Contraf-CUT

O Banco Bradesco encerrou 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 24,652 bilhões, alta de 26,1% em relação a 2024, conforme os Destaques das Demonstrações Financeiras do Banco Bradesco – Exercício de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 14,8%, com crescimento de 3,1 pontos percentuais em 12 meses, impulsionado principalmente pelo avanço das margens financeiras, das receitas com serviços e da carteira de crédito.

Apesar do resultado expressivo, o banco fechou 1.927 postos de trabalho em 12 meses, sendo 2.092 cortes entre bancários, além de promover o encerramento de 296 agências, 1.098 postos de atendimento (PA e PAE) e 4 unidades de negócios no período.

Para Erica de Oliveira, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, os números evidenciam uma contradição entre os lucros bilionários e a política de enxugamento da estrutura e do quadro de pessoal. “Os dados mostram que o Bradesco cresce, lucra e amplia suas receitas, mas continua fechando postos de trabalho e agências. Essa estratégia prioriza o resultado financeiro às custas dos trabalhadores, da qualidade do atendimento e do papel social do banco”, critica Erica.

Receitas em alta e expansão do crédito

A Carteira de Crédito Expandida do Bradesco cresceu 11% em 12 meses, alcançando R$ 1,089 trilhão em dezembro de 2025. O segmento de pessoa física avançou 12,7%, totalizando R$ 466,5 bilhões, com destaque para:

  • CDC/Leasing de Veículos (+18,0%)
  • Cartão de crédito (+10,5%)
  • Crédito imobiliário (+9,7%)

Já a carteira de pessoa jurídica somou R$ 622,7 bilhões, alta de 9,7%, com forte crescimento entre micro, pequenas e médias empresas (+21,3%).

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias chegaram a R$ 31,2 bilhões, crescimento de 5,1% em 12 meses. As despesas de pessoal, incluindo a PLR, totalizaram quase R$ 26,5 bilhões, aumento de 8,8%, sendo mais do que cobertas pelas receitas secundárias do banco (117,6%).

Mais clientes, menos trabalhadores

Mesmo com a redução do quadro, a base de clientes do Bradesco cresceu em 1,4 milhão, alcançando 110,5 milhões de clientes. Ao final de 2025, a holding contava com 82.095 funcionários, sendo 70.550 bancários — um cenário que indica mais clientes por trabalhador, maior pressão por metas e intensificação da sobrecarga. “O banco fala em otimização de custos, mas o que vemos na prática é menos funcionários para atender mais clientes, metas abusivas e aumento do adoecimento. Esse modelo de gestão não é sustentável”, alerta Erica.

Fechamento de agências prejudica população

O encerramento de centenas de agências e postos de atendimento impacta diretamente a população, especialmente idosos, pessoas de baixa renda e moradores de regiões periféricas ou cidades menores, que dependem do atendimento presencial. “A transformação digital não pode servir de desculpa para desmontar o atendimento e excluir parte da população. O Bradesco tem lucro suficiente para investir em tecnologia sem eliminar empregos nem precarizar o serviço”, afirma Erica. 

Movimento sindical cobra responsabilidade social

A Contraf-CUT e o movimento sindical defendem que os lucros bilionários do sistema financeiro sejam acompanhados de responsabilidade social, valorização dos trabalhadores, manutenção de empregos e ampliação do atendimento à sociedade. “Se o banco apresenta resultados tão expressivos, o mínimo esperado é que invista em pessoas e cumpra seu papel social. Lucro não pode continuar significando demissão e fechamento de agências”, conclui Erica de Oliveira.

A Contraf-CUT enviou um ofício ao banco, na segunda-feira (6), para reivindicar a antecipação do pagamento da PLR. Até o momento não obteve resposta.

Fonte: Contraf-CUT

A partir de 9 de fevereiro de 2026, terá início oficial um novo ciclo de certificações profissionais no setor financeiro, estabelecido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e regulamentado pela Portaria Previc nº 1.214. As mudanças, que criam novos selos e promovem a migração gradual dos certificados atuais, mobilizam a categoria bancária e exigem planejamento das instituições.

A Contraf-CUT está atenta a essa transição, queimpactará diretamente o trabalho dos bancários e a relação com os clientes. O novo modelo passa a ser estruturado em três níveis principais:

  • CPA (Certificado Profissional Anbima): ponto de partida obrigatório para quem pretende avançar aos demais níveis.
  • C-Pro (Certificado Profissional Anbima de Relacionamento): focado em relacionamento e análise de perfil de clientes.
  • C-Pro II (Certificado Profissional Anbima de Investimento): para atuação mais aprofundada em investimentos e consultoria.

Processo de migração e prazo de transição

A migração será conduzida conforme diretrizes da Anbima. Profissionais com certificações atuais poderão migrar para as novas opções compatíveis sem a necessidade de realizar novos exames, mediante a conclusão de microcertificações na plataforma Anbima Edu.

O processo de atualização será anual, com a transição principal prevista para 2026. É importante destacar que as certificações antigas permanecerão válidas apenas como fase de transição até 31 de dezembro de 2026. Após essa data, será obrigatória a adesão ao novo modelo para manter a regularidade no exercício das funções.

Contraf-CUT alerta para a necessidade de planejamento e apoio

A evolução do modelo exige não apenas preparo individual, mas, sobretudo, suporte das instituições bancárias. A coordenadora da COE do Santander, Wanessa Queiroz, em nome da Contraf-CUT, chama a atenção para a responsabilidade dos bancos nesse processo.

“É imprescindível que o banco forneça os cursos preparatórios e tempos adequados para que os bancários e bancárias possam realizar as atualizações das certificações Anbima e atender aos clientes neste momento de transição das novas certificações, em 2026”, afirma a coordenadora. Ela complementa: “Essa transição exige planejamento cuidadoso, apoio institucional e mecanismos que assegurem que a força de trabalho esteja preparada para atuar com qualidade durante o período de transição.”

Fonte: Contraf-CUT

Atendendo a um ofício enviado pela Contraf-CUT a todos os bancos reivindicando a antecipação, o Itaú informou que efetuará o pagamento da segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no dia 27 de fevereiro.

O valor a ser creditado aos bancários do Itaú corresponde à segunda parcela da PLR referente ao exercício de 2025, já com o desconto do montante pago como antecipação em setembro do ano passado.

Além da PLR, os trabalhadores também poderão receber, na mesma data, eventuais diferenças relacionadas ao pagamento do Programa Complementar de Resultados (PCR), cujo crédito inicial foi realizado em setembro de 2025.

A Contraf-CUT e a COE Itaú seguem acompanhando o processo para garantir que os valores sejam pagos corretamente e dentro do prazo informado pelo banco. “Esse pagamento é resultado da cobrança permanente do movimento sindical para que os direitos dos bancários sejam respeitados. Seguiremos atentos para garantir transparência nos cálculos e o correto repasse da PLR e de possíveis diferenças do PCR aos trabalhadores do Itaú”, afirmou Maria Izabel Menezes, coordenadora da COE Itaú.

Fonte: Contraf-CUT

 

Estão abertas as inscrições para a nova turma do curso "Paternidade e Maternidade com Relações Compartilhadas". As aulas, ao vivo e online, serão de 23 a 26 de fevereiro (segunda a quinta), das 19h30 às 21h30.

Clique aqui e faça sua inscrição.

Além preparar papais e mamães nos cuidados práticos com o recém-nascido, como troca de fraldas, colocar para dormir, manobra de desengasgo e cuidados pós-mamada, o curso aborda os desafios da família com a chegada do novo integrante, incluindo depressão pós-parto, respeito à condição biológica e psicológica da mulher e o papel do pai na educação da criança.

Promovido pelo Centro de Formação Profissional 28 de Agosto, o curso é voltado para todos os públicos pelo valor de R$ 280, mas bancários e bancárias, sócios de sindicatos da base da Contraf-CUT, pagam apenas R$ 180.

O curso também é pré-requisito para que os bancários tenham direito à licença paternidade ampliada de 20 dias. A conquista obtida pela categoria em Campanha Nacional, entretanto, é regra apenas para alguns bancos.


Programa do curso:

Aula 1 – Paternidade e os desafios para a família

  • Acolhida dos participantes e apresentação geral do curso
  • Abordagem psicológica sobre o momento na vida do pai
  • Desafios para a família com a chegada de um novo membro
  • Depressão pós-parto e seus efeitos
  • Respeito à condição biológica e psicológica da mulher
  • Bater funciona?
  • O contato das crianças com as telas


Aula 2 – O ato de educar: pais e mães comprometidos

  • O que é Educação
  • Qual o papel do pai na educação da criança
  • Qual a interação necessária entre pai e mãe na condução do processo educativo da criança?
  • Quais os sentidos de colocar limites e fazer combinados com uma criança?
  • Como o tempo e a qualidade do tempo pode interferir na educação


Aula 3 – Cuidados práticos com o recém-nascido

  • Pré-parto e dia do parto
  • Banho
  • Troca de fraldas
  • Amamentação e pós-mamada
  • Manobras de desengasgo
  • Como carregar
  • Como colocar para dormir
  • Outras orientações


Aula 4 – Relações contemporâneas e o redimensionamento do papel dos pais
Diálogo sobre o papel do homem e da mulher na sociedade contemporânea. A paternidade como uma grande oportunidade de potencializar o desenvolvimento da criança e de uma família com mais equidade.

Fonte: Contraf-CUT

Atendendo a um ofício enviado pela Contraf-CUT a todos os bancos reivindicando a antecipação, o Banco Santander confirmou que realizará o pagamento da segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no dia 27 de fevereiro, juntamente com a folha salarial do mês, a remuneração semestral (PPE) e os valores referentes ao segundo semestre.

Além da segunda parcela da PLR, os empregados do Santander também receberão o Programa Próprio de Resultados Santander (PPRS), incluindo a parcela adicional, cujo valor foi reajustado para o pagamento deste ano para de R$ 3880,84.

Neste ano, o crédito do dia 27 reunirá três importantes pagamentos: a PLR, a PPRS e o PPE, além da folha de fevereiro, garantindo um reforço significativo na remuneração dos trabalhadores elegíveis.

A PPRS é uma conquista histórica do movimento sindical, garantida no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Santander, vigente no período de 2024 a 2026 (até 31 de agosto de 2026), reforçando o compromisso com a distribuição dos resultados e a valorização dos empregados. “Os pagamentos da PLR e da PPRS representam importantes conquistas dos trabalhadores, garantidas na Convenção Coletiva de Trabalho e no ACT do Santander, resultados da nossa luta permanente, assegurando que os bancários participem dos lucros que ajudam a construir. Seguiremos atentos para garantir o cumprimento integral desses direitos”, afirmou Wanessa de Queiroz, coordenadora da COE Santander.

Fonte: Contraf-CUT

O Banco Santander registrou lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, com crescimento de 12,6% em relação a 2024, segundo levantamento do Dieese a partir das Demonstrações Financeiras do banco. No 4º trimestre de 2025, o lucro atingiu R$ 4,086 bilhões, o maior resultado trimestral dos últimos quatro anos, de acordo com o próprio relatório da instituição.

O retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado ficou em 17,6%, impulsionado, entre outros fatores, pelo avanço das comissões (+4,3%), com destaque para cartões, seguros e administração de recursos. No cenário global, o Santander registrou lucro recorde de € 14,101 bilhões, com crescimento de 12,1%, e o Brasil foi responsável pelo segundo maior resultado do grupo, somando € 2,168 bilhões, atrás apenas da Espanha.

Apesar dos resultados expressivos, o banco seguiu ampliando a redução de sua estrutura operacional. Em doze meses, a holding Santander encerrou 2025 com 49.661 empregados, após o fechamento de 5.985 postos de trabalho, sendo 2.086 cortes apenas no último trimestre. Além disso, 1,6 mil trabalhadores foram transferidos para a SSD, empresa do grupo, como parte da estratégia de reorganização interna.

A rede física também foi impactada: em um ano, o banco fechou 579 pontos de atendimento, incluindo lojas e PABs. Segundo dados do Banco Central, o número de agências físicas caiu de 2.430 em dezembro de 2024 para 1.695 em dezembro de 2025, uma redução de 735 unidades.

Enquanto isso, a Carteira de Crédito Ampliada do Santander alcançou R$ 708,2 bilhões, com alta de 3,7% em doze meses. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 2,0%, somando R$ 23,023 bilhões, enquanto as despesas de pessoal mais PLR totalizaram R$ 12,429 bilhões, cobertas em 185,2% pelas receitas secundárias do banco.

Para a coordenadora da COE Santander, Wanessa de Queiroz, os números escancaram a contradição entre os lucros bilionários e o impacto social da política de cortes. “O Santander segue batendo recordes de lucro, mas continua fechando agências, eliminando postos de trabalho e sobrecarregando os funcionários que permanecem. É inaceitável que um banco que lucra bilhões e amplia sua base de clientes insista em precarizar o atendimento e desvalorizar quem gera esses resultados”, criticou.

Wanessa de Queiroz ressalta ainda que os trabalhadores estão cada vez mais adoecidos com a sobrecarga de trabalho, uma vez que o aumento de clientes e a diminuição dos postos de trabalho aumentam a pressão sobre os empregados. "As mulheres são o grupo mais afetado, pois representam mais de 50% do quadro de funcionários. Então essa é uma preocupação grande para nós e temos cobrado melhorias nas condições de trabalho", afirma Wanessa.

Fonte: Contraf-CUT

O Itaú Unibanco registrou lucro líquido gerencial de R$ 46,830 bilhões em 2025, com crescimento de 13,1% em relação a 2024 e de 3,7% na comparação trimestral, segundo análise do Dieese com base nas Demonstrações Financeiras do banco. A rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido médio (ROE) no Brasil atingiu 24,6%, com alta de 1,3 ponto percentual em doze meses.

De acordo com o relatório do banco, o resultado foi impulsionado pelo crescimento da margem financeira com clientes (+12,1%), associado ao aumento do volume de crédito, maior margem de passivos e ganhos com capital próprio. As receitas com serviços e seguros também cresceram 6,3%, com destaque para cartões, administração de recursos e seguros, segmento que avançou 16,6% no período.

A carteira de crédito alcançou R$ 1,491 trilhão, com alta de 6,0% em doze meses e 6,3% no trimestre. No segmento de pessoa física, o crescimento foi de 6,6%, com destaque para crédito imobiliário (+12,8%), cartão de crédito (+8,0%), crédito pessoal (+2,2%) e o consignado privado (“novo consignado CLT”), que avançou 35,9%. Já no segmento de pessoa jurídica, a carteira de Grandes Empresas cresceu 5,2%, enquanto o crédito para micro, pequenas e médias empresas avançou 8,7%.

Mesmo com esse desempenho robusto, o banco seguiu promovendo cortes na estrutura e no quadro de pessoal. Em 2025, a holding Itaú Unibanco encerrou o ano com 82.693 empregados no Brasil, após o fechamento de 3.535 postos de trabalho em doze meses, sendo 916 apenas no último trimestre. No mesmo período, o banco fechou 319 agências físicas, enquanto a base de clientes cresceu em 1,8 milhão, totalizando mais de 100 milhões de clientes ao final de dezembro.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 49,0 bilhões, queda de 0,4% em doze meses, enquanto as despesas de pessoal, incluindo a PLR, cresceram 8,4%, totalizando R$ 33,9 bilhões. Ainda assim, essas despesas foram cobertas em 144,3% pelas receitas com serviços e tarifas.

Outro destaque foi o índice de eficiência, que atingiu o menor nível da série histórica: caiu de 44,0% em 2021 para 38,8% em 2025, indicando que o banco gasta cada vez menos para gerar receitas — resultado frequentemente associado à digitalização e à redução de estrutura.

Para a coordenadora da COE Itaú, Maria Izabel Menezes, os números evidenciam uma contradição entre o lucro elevado e a política de cortes adotada pelo banco. “O Itaú apresenta um lucro bilionário, amplia sua carteira de crédito e bate recordes de rentabilidade, mas continua fechando agências e eliminando milhares de postos de trabalho. É uma lógica que prioriza apenas o ganho financeiro, sem considerar o impacto sobre os trabalhadores e a qualidade do atendimento à população”, criticou Maria Izabel.

“Os bancários são fundamentais para esses resultados e merecem valorização, mais contratações e melhores condições de trabalho. Não é aceitável que o banco se torne mais eficiente às custas da sobrecarga dos funcionários e da precarização dos serviços”, finalizou.

Fonte: Contraf-CUT

Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, foi realizada a Assembleia Ordinária para Eleição da Comissão Eleitoral, na Sede do Sindicato dos Bancários da Baixada Fluminense, em Duque de Caxias.

A assembleia contou com a participação de um grande número de bancários e bancárias, demonstrando apoio e legitimidade à eleição.

A Comissão Eleitoral, eleita na assembleia, está composta pelos associados: Silvio Brandão, Alvaro Gomes da Cruz Neto e Antônio José dos Santos.

A data das eleições será divulgada oportunamente em edital, que será publicado no próximo dia 4 de fevereiro, pela Comissão Eleitoral.

Posteriormente, o Sindicato dos Bancários da Baixada Fluminense informará os locais de votação, com urnas que serão itinerantes e que circularão por todas as agências que abrangem a base do Sindicato.

 

A Caixa Econômica Federal respondeu ao ofício encaminhado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e confirmou a realização de uma reunião de negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) do banco. O encontro está previsto para ocorrer na segunda-feira, dia 2 de fevereiro.

Na pauta estarão temas que vêm gerando forte insegurança e impactos diretos no cotidiano de trabalho nas unidades da Caixa, como o programa Super Caixa, o projeto piloto de migração de função de caixas executivos para auxiliares, os problemas na concessão de crédito consignado e na plataforma de atendimento a pessoas jurídicas (PJ).

Desrespeito ao ACT motivou cobrança

O pedido de negociação foi formalizado pela Contraf-CUT no dia 19 de janeiro, por meio do ofício nº 00826, encaminhado à Vice-Presidência de Pessoas da Caixa. No documento, a entidade denuncia que o banco vem implementando mudanças organizacionais de forma unilateral, sem negociação prévia com a representação dos trabalhadores, em descumprimento ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

O texto reforça que a cláusula 49 do ACT – “Negociação Permanente” obriga a Caixa a discutir previamente qualquer mudança organizacional, reestruturação, alteração de função ou projeto que impacte as condições de trabalho dos empregados.

“Não estamos falando de ajustes pontuais, mas de processos que mudam a organização do trabalho, aumentam a pressão sobre os empregados e afetam diretamente a saúde e a segurança das equipes. Nada disso pode ser imposto sem diálogo”, afirmou Chay Cândida, representante da Fetrafi-NE.

Reestruturações e insegurança nas unidades

Entre os principais pontos cobrados está o projeto piloto de migração de função de caixas executivos para auxiliares, implantado sem negociação e que altera atribuições, rotinas e responsabilidades nas unidades.

Outro tema sensível é a plataforma PJ, cuja implementação vem gerando insegurança entre os trabalhadores. Há relatos de falta de treinamento, ausência de definição de fluxos e dúvidas sobre quem permanecerá nas agências para atender clientes que não forem absorvidos pela plataforma.

“A forma como essas mudanças estão sendo feitas empurra os problemas para quem realiza os atendimentos, sem estrutura, sem orientação e sem garantia de proteção. Isso é inaceitável”, destacou Luiza Hansen, representante da Fetec-CUT/SP.

Super Caixa e consignado também na mesa

O programa Super Caixa também será debatido. A Contraf-CUT cobra mais transparência, esclarecimentos sobre critérios e regras, além dos impactos sobre a remuneração e a organização do trabalho, diante das inúmeras manifestações de insatisfação relatadas pelos empregados.

Além disso, os problemas no crédito consignado, que vêm impedindo milhares de empregados de contratar ou renovar operações, também serão discutidos na reunião, conforme solicitado pela Contraf-CUT.

Promoção por mérito

Os empregados também cobram que a Caixa apresente uma justificativa para o não pagamento dos deltas (promoção por mérito) em janeiro e informe e a partir de quando o valor será acrescentado ao pagamento dos funcionários que tiverem direito à promoção.

“Em 2025, o acréscimo passou a ser creditado já em janeiro. E não vemos motivo para que este não tenha sido da mesma forma”, disse o coordenador da CEE, Felipe Pacheco. “Em mesa de negociações a Caixa se comprometeu a realizar a promoção por mérito e a pagar os respectivos deltas, todos os anos, já a partir de janeiro, uma vez que o orçamento é baseado na folha salarial, não havendo necessidade de esperar a divulgação do balanço do ano”, completou.

A norma interna da Caixa (RH176) que define as regras e critérios da Promoção por Mérito diz que: “A distribuição de Deltas observa o limite orçamentário de 1% da folha de pagamento para gastos com Promoção por Mérito e por Antiguidade [MN, RH175].”

Em outro trecho, diz que o “valor referente ao Delta recebido na Promoção por Mérito é creditado na Folha de Pagamento do mês de divulgação dos resultados e não há retroatividade de lançamentos.” Para a representação dos trabalhadores, “os resultados” referem-se à apuração do cumprimento dos critérios para o recebimento do delta, não tendo nenhuma relação com os resultados do balanço anual. “Não há motivo para esperar a divulgação do balanço, uma vez que o cálculo para o pagamento dos deltas é feito com base na folha salarial e não nos resultados do balanço do banco”, explicou Felipe.

Negociação é obrigação, não concessão

No encerramento do documento, a Contraf-CUT reforça que a negociação prévia não é apenas uma prerrogativa sindical, mas uma obrigação prevista no ACT, e que sua inobservância fragiliza as relações de trabalho, amplia conflitos e prejudica a organização e a saúde dos trabalhadores.

“Precisamos de respostas concretas e mudanças reais, porque quem sustenta os resultados da Caixa merece respeito”, concluiu Chay Cândida.

A Contraf-CUT seguirá acompanhando o processo e informará a categoria sobre os desdobramentos da negociação.

Fonte: Contraf-CUT