Funcionários, estagiários e jovens aprendizes do banco Santander poderão se vacinar contra a gripe (H1N1) a partir de segunda-feira (19). O banco divulgou o calendário de vacinação, nesta quinta-feira (15), em reunião com a Comissão de Organização dos Empregados (COE).
A vacinação será realizada nas unidades de trabalho, conforme calendário enviado pelo banco a todos os funcionários. Aqueles que não puderem comparecer nas datas definidas devem agendar a vacinação na relação de clínicas conveniadas. O banco não reembolsará os custos de vacinação em clínicas não conveniadas.
“Trata-se de uma importante ação preventiva e de promoção à saúde reivindicada pelas entidades sindicais em benefício dos funcionários”, informou o secretário de Assuntos Socioeconômicos e representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) nas negociações com o Santander, Mario Raia.
“Se a vacinação contra a gripe já era importante antes, no atual contexto, de pandemia de Covid-19, torna-se imprescindível. Por isso, orientamos que todos os funcionários se esforcem para participar desta campanha de vacinação”, completou ao lembrar que a vacina contra a gripe não protege contra o coronavírus, mas o Ministério da Saúde ressalta a importância de se vacinar contra a gripe comum para evitar a confusão de diagnósticos e proteger a população contra as formas mais graves da doença.
Em caso de dúvidas ou dificuldades para ser vacinado, o funcionário deve acessar o portal RH e consultar as respostas às perguntas frequentes. Se as dúvidas permanecerem, deve entrar em contato com o RH do banco, ou com seu sindicato.
O terceiro dia de análise dos balanços dos bancos públicos, para destacar sua viabilidade comercial e sua importância social, destacou os resultados do Banco do Brasil e os ataques que o mesmo vem sofrendo nos últimos anos e os prejuízos que isso pode causar para o país.
O mediador do debate, José Ricardo Sasseron, explicou que o evento faz parte de um curso sobre os bancos públicos realizado em parceria entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), apresentou debatedores do dia e passou a palavra para os representantes da Fenae e da Contraf-CUT fazerem uma saudação inicial.
O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, disse que é uma alegria muito grande fazer esse debate em um momento em que o Banco do Brasil e os demais bancos públicos estão sofrendo mais uma tentativa de enxugamento. “O novo presidente afirma que o BB é de mercado. É importante prepararmos os dirigentes sindicais para fazer uma defesa adequada do Banco do Brasil, da Caixa e dos demais bancos públicos junto à sociedade”.
Gustavo Tabatinga, secretário-geral da Conraf-CUT também ressaltou a importância do ciclo de debates sobre os bancos públicos. “Quem teve a oportunidade de participar dos debates anteriores já pôde ver o quanto é importante defendermos os bancos públicos. Hoje, vamos destacar o Banco do Brasil, um banco que tem 213 anos de existência. Mais uma vez, veremos que sem os bancos públicos o não haverá o desenvolvimento do país”.
Os números
A apresentação da economista Nádia Vieira de Souza, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) reforçou a visão de que o Banco do Brasil, assim como os demais bancos públicos, desempenha um importante papel no desenvolvimento do país, tanto em decorrência da concessão de crédito, principalmente no crédito rural, mas também na execução de programas sociais do Governo Federal. “Mas, nos últimos anos, temos visto um ataque sistemático a todos os bancos públicos, incluindo o Banco do Brasil. Isso tem reduzido cada vez mais sua atuação”, observou a economista. “Mas, mesmo com esses ataques, a participação do BB no total de crédito fechou 2020 em 19,4%, com peso ainda maior nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, completou.
Além do crédito, Nádia também destacou a capilaridade do BB, que atua na maior parte dos municípios brasileiros. “O banco, no entanto, vem sofrendo um forte enxugamento nos últimos anos e, em janeiro, foi anunciada mais uma reestruturação, com fechamento de agências e uma redução de 6% do pessoal, o que causará um forte impacto no trabalho e sobrecarregará os funcionários que permanecerão no quadro”, ressaltou.
A representante dos funcionários no Conselho de Administração do BB (Caref), Débora Fonseca, também ressaltou a capilaridade do Banco do Brasil. “A presença do BB é muito marcante em muitos municípios, principalmente naqueles onde ele é o único banco da cidade. E em muitos deles essa relação de proximidade com os agricultores contribui com a atuação junto ao agronegócio. Com o fechamento de agências abre-se espaço para as cooperativas de crédito”, disse.
Banco do mercado
Débora Fonseca, também apontou a dubiedade do discurso do novo presidente do banco, Fausto Ribeiro. “Depois de ter dado diversas declarações destacando que dará atenção aos funcionários, no Conselho de Administração, onde há a presença dos acionistas, o novo presidente do BB focou sua fala no retorno aos investidores”.
A Caref do BB lembrou, ainda que as devoluções de recursos para o Tesouro Nacional por meio dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) pode trazer prejuízos para o banco e sua atuação de fomento ao desenvolvimento e, consequentemente para o país. “Isso pode encarecer o crédito e gerar grande impacto não apenas na compra de maquinários, mas do agro como um todo”, afirmou. “É ruim para o Estado, é ruim para o produtor, é ruim pra todo mundo! Ninguém é beneficiado, a não ser os bancos privados, que poderão competir em melhores condições no segmento agro”, completou.
Geração de empregos
O coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga fechou o debate. Em sua fala ele destacou a importância do Banco do Brasil para a geração de emprego.
“O Banco do Brasil sempre foi um importante ator no segmento de crédito para as micros e pequenas empresas, que são as que mais geram emprego no país. No ano passado, se não fosse o BB, teríamos um número ainda maior de fechamento de empresas, que receberam recursos do governo para conceder crédito a estas empresas, mas se esconderam com medo do calote. Foi o BB quem, mais uma vez, fez este serviço”, disse, ao lembrar dos dados apresentados pela economista do Dieese, que apontam que o BB foi o responsável por 25,6% do crédito às MPEs em 2020.
Mais debate
A semana de análise crítica sobre os bancos públicos será encerrada nesta sexta-feira (16), a partir das 19h, com um debate, que será transmitido ao vivo, sobre a autonomia do Banco Central, com a participação do deputado federal Pedro Uczai (PT/SC), da presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, do presidente da Fenae, Sergio Takemoto, e do Economista Sergio Mendonça.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou um ofício para a Caixa solicitando o envio de minuta de acordo coletivo de trabalho referente à modalidade “Teletrabalho” e “Banco de Horas” para continuar as negociações coletivas sobre o assunto. O documento reforça o retorno das demandas feitas durante a última mesa de negociação, realizada no dia 16 de março.
“Esses assuntos são de interesse de todos os empregados, pois fazem parte do dia a dia e tem reflexos. A mesa de negociação permanente é conquista dos trabalhadores e o que é debatido e fica pendente precisa ter retorno”, explicou a secretária da Cultura da Contraf-CUT e coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt.
O documento cobra ainda um posicionamento sobre outros temas listados debatidos na mesma reunião, que não tiveram retorno, como reestruturação; Não exposição de “Nome e Sobrenome” de empregados em mensagens de “SMS” de avaliação de atendimento; Inibir que empregados atuem nas áreas externas à agência (após a porta giratória); Debate CR444 (PQV); Transmissão de “Lives” durante horário de atendimento; PSIs (transparência); e fim dos objetivos SMART da VIRED.
“Enquanto representantes da categoria, precisamos ter respostas da Caixa para as reinvindicações dos empregados. Os assuntos vão se acumulando sem o devido retorno por parte da empresa, mas não pode ser assim. Todos os temas são relevantes e merecem atenção e respeito. Por isso, reiteramos a cobrança e tiramos um calendário de luta para as próximas semanas”, afirmou Tatiana Oliveira, presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará e integrante da CEE/ Caixa.
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reúne com a direção do banco, na tarde desta sexta-feira (16), para continuar os debates sobre o GERA, programa de remuneração variável do banco que substitui o Agir, e garantias de emprego.
Durante o encontro, que será realizado por videoconferência, o Itaú deve apresentar o fluxo do acordo de Banco de Horas Negativas e o nível de emprego em 2020 e no primeiro trimestre de 2021.
“Nós queremos avançar nesse assunto que já dura alguns encontros e são de suma importância para o dia a dia dos Trabalhadores”, afirmou Jair Alves, coordenador da COE Itaú.
Em meio à pandemia, os empregados da Caixa Econômica Federal (CEF) estão se desdobrando para atender os milhões de brasileiros que necessitam do auxílio emergencial, ao mesmo tempo em que são coagidos a cumprirem metas relativas à venda de ações da Caixa Seguridade. Com “requintes de crueldade”, os próprios trabalhadores têm sido pressionados a adquirirem essas ações, forçados, assim, a se tornarem “cúmplices” do processo de privatização em curso, com a venda fatiada dos ativos mais lucrativos.
Além disso, eles denunciam a precarização do atendimento à população em função da perda de funcionários. Nos últimos anos, cerca de 20 mil trabalhadores foram demitidos sem que houvesse a devida reposição.
Diante desse quadro de ameaça de privatização e ataques a direitos, os trabalhadores da Caixa preparam mobilizações. Na semana que vem, eles se reúnem em plenárias e assembleias por todo o país. E não descartam eventual paralisação.
O coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e da Federação das Associações de Pessoal dos Empregados (Fenae) da Caixa, Dionísio Reis, destaca que a covid-19 já vitimou ao menos 45 colegas em todo o país. Por outro lado, em vez de valorizar os trabalhadores que estão na linha de frente, a direção do banco cortou parte da participação nos lucros ou resultados (PLR).
“A nossa orientação é para que não comprem e também não vendam essas ações. Querem colocar como se os empregados tivessem concordado com a privatização”, afirmou Dionísio, em entrevista a Marilu Cabañas, no Jornal Brasil Atual desta quinta-feira (15).
Descapitalização
De acordo com Dionísio, desde o golpe do impeachment de 2016, a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES vêm passando por um processo de “descapitalização”. A consequência é a redução da oferta de crédito barato para a população. Os juros praticados pelos bancos públicos também subiram, de forma a atender aos interesses do setor financeiro privado.
Ele destaca que os bancos públicos chegaram a ser responsáveis por 56% da oferta de crédito no país. A “descapitalização”, segundo ele, tem afetado programas de acesso a crédito para o setor imobiliário e a agricultura familiar, por exemplo. Como resultado, os preços dos alimentos ficam mais elevados, os empregos diminuem e a população vê mais distante o sonho da casa própria. “É bom lembrar que desde 2018 a Caixa não realiza mais o Feirão da Casa Própria, que movimentava o setor imobiliário.”
Entrega fatiada
Depois da abertura de capitais da Caixa Seguridade, a direção do banco planeja fazer o mesmo com outra áreas mais rentáveis e estratégicas. No plano de privatização do ministro da Economia, Paulo Guedes, a Caixa também corre o risco de deixar de ser 100% pública, tornando-se uma empresa de economia mista, com ações negociadas na bolsa.
Nesse modelo, uma das consequências seria o enxugamento do número de agências. Pequenos municípios e periferias das grandes cidades seriam os alvos principais desses fechamentos.
“O projeto é vender as partes mais lucrativas, formar uma S/A e passar todas as operações para esse novo banco. A população e os pequenos empresários estão sentindo o impacto dos altos preços dos alimentos, que também decorrem do crédito mais caro. Esse impacto se dá por conta da cartelização e isso está se agudizando. Temos um sistema financeiro muito concentrado. E os bancos públicos não têm mais a oportunidade de ofertarem crédito mais barato”, alertou Dionísio.
Com a colaboração do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese) e das comissões de funcionários e de defesa do Banco da Amazônia e do Banco do Nordeste do Brasil, respectivamente, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) apresentaram na terça (13) os resultados dos balanços de ambos os bancos e ressaltaram a divergência de opinião dos trabalhadores em relação ao que é passado pelo governo e reproduzido pela imprensa sobre esses resultados. Nesta quarta-feira (14) foi a vez de destacar os resultados da Caixa Econômica Federal.
“Tanto na atividade de ontem (terça-feira), quanto na de hoje (quarta-feira) ocorreram debates com elevada qualidade, tanto técnica quanto política. Quem é da categoria sabe, e quem é de fora pôde ver que os bancos públicos merecem ser vistos por uma ótica diferente da que é mostrada por quem defende a privatização, que, normalmente, é reproduzida pela mídia”, afirmou o secretário de Relação Internacionais da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, que representa a entidade na equipe de organização.
Banco do Brasil
Nesta quinta-feira (15), a partir das 19h, estará em pauta os resultados apresentados pelo Banco do Brasil. A atividade tem o objetivo de informar e instrumentalizar os dirigentes sindicais na defesa dos bancos públicos, mas é aberta a todos que queiram conhecer o ponto de vista dos bancários sobre o balanço do Banco do Brasil.
“Queremos mostrar, para todos que tenham interesse, que o Banco do Brasil e os demais bancos públicos são rentáveis e extremamente competitivos, além de desempenharem papel fundamental para o desenvolvimento social e econômico do país”, afirmou O coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, que, juntamente com a Conselheira de Administração do Banco do Brasil eleita pelos funcionários, Débora Fonseca, farão as ponderações do ponto de vista dos trabalhadores.
Antes deles, a economista Nádia Vieira de Sousa, do Dieese, será a responsável pela apresentação e análise técnica do balanço.
O debate será mediado por José Ricardo Sasseron, bancário aposentado do BB. Sasseron foi conselheiro fiscal e deliberativo, além de diretor de seguridade, da Previ. Também foi presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão e dos Beneficiários de Saúde Suplementar de Autogestão e representante dos trabalhadores no Conselho Nacional de Previdência Complementar.
O evento não será retransmissão ao vivo pelas redes sociais, mas a participação é aberta a todos os interessados por meio do link disponível na programação abaixo.
A semana de debates sobre os bancos públicos será encerrada na sexta-feira (16), com o debate transmitido ao vivo sobre a autonomia do Banco Central e a revisão da Lei do Sistema Financeiro Nacional.
Veja abaixo a programação:
Dia 15 de abril, quinta-feira, às 19 horas Análise do Balanço do Banco do Brasil Link de acesso https://zoom.us/j/94124548557 ID da reunião: 941 2454 8557
Apresentação do Balanço: Nádia Vieira de Souza – Economista e técnica do Dieese
Mediador: José Ricardo Sasseron – Bancário aposentado do BB. Foi conselheiro fiscal, conselheiro deliberativo e diretor de seguridade da Previ, eleito pelos participantes. Foi presidente da Anapar – Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão e dos Beneficiários de Saúde Suplementar de Autogestão e representante dos trabalhadores no Conselho Nacional de Previdência Complementar.
Participação: João Luiz Fukunaga – Coordenador da Comissão de Empregados do Banco do Brasil e Secretário de Organização e Suporte Administrativo do Sindicato dos Bancários de São Paulo Debora Fonseca – Conselheira de Administração do Banco do Brasil eleita pelos trabalhadores.
Dia 16 de abril, sexta-feira, às 19 horas Debate sobre a autonomia do Banco Central Youtube e Facebook da Fenae
Mediadora: Lis Jannuzzi Weingartner – Jornalista da Fenae
Convidados: Pedro Uczai – Deputado Federal PT SC Juvandia Moreira Leite – Presidenta da Contraf-CUT Sergio Hiroshi Takemoto – Presidente da Fenae Sergio Mendonça – Economista e diretor do Reconta Aí
No texto, a Caixa disse que o processo de aquisição das vacinas da gripe deve ocorrer por meio de certame licitatório, em conformidade com a legislação vigente. “Ressaltamos que apesar da tentativa da CAIXA para usar o modelo de credenciamento, o Ministério Público manifestou-se contrário, exigindo licitação, que já se encontra em andamento e faz-se necessário aguardar a conclusão das etapas previstas. Estamos envidando esforços no acompanhamento das etapas e, tão logo seja concluído, os empregados serão devidamente comunicados e direcionados aos locais habilitados.”
Para Fabiana Uehara Proscholdt, secretária da Cultura da Contraf-CUT e coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/ Caixa), “A Caixa respondeu o ofício encaminhado pela Contraf-CUT, mas – ao mesmo tempo – não respondeu, pois não deu prazo de quando isso ocorrerá. Responder que ‘deve ocorrer por meio de certame licitatório, em conformidade com a legislação vigente’ não confirma nem que isso já está acontecendo, o que é preocupante. É urgente que a vacinação contra a gripe ocorra, pois é uma medida para proteger os empregados e que também contribuirá para desafogar a rede de saúde, que já está bem comprometida pela situação da pandemia.”
Lizandre Borges, diretora do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, completa. “Diante da emergência que estamos vivendo com a pandemia, é necessário que este processo licitatório seja mais ágil por parte da Caixa e contemple todos os estados da federação, o que não ocorreu na última campanha, prejudicando e impedindo dezenas de empregados a se imunizarem contra a H1N1”, lembrou.
A CEE/ Caixa irá continuar cobrando do banco até que as vacinas sejam aplicadas em todos os empregados do banco público.
O novo presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, promoveu uma mudança do rumo que vinha sendo imposto ao banco pelos dois ex-presidentes da instituição. Em todas as entrevistas, faz questão de valorizar os funcionários e destacar a importância do BB para o desenvolvimento do país. Mas, o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, alerta para os cuidados que devem ser tomados com a insistência em dizer que o “Banco do Brasil é do mercado”.
“Em seus pronunciamentos, o Fausto (Ribeiro) tem dito que ‘o Banco do Brasil é do mercado e do Brasil’. Por mais que ele tenha mudado a postura anteriormente adota e boa vontade para valorizar os funcionários e a instituição, os acionistas sempre vão querer mais lucros. E isso significa redução de postos de trabalho e a consequente sobrecarga e adoecimento dos funcionários. Significa precarizar o atendimento aos clientes, não apenas com a redução dos funcionários, mas também com o fechamento de agências e o aumento das tarifas e taxas”, disse Fukunaga.
O coordenador da CEBB ressaltou que o Banco do Brasil é lucrativo e altamente eficiente, com o melhor índice de eficiência entre os cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander). “O Banco do Brasil já possui faz bastante tempo o melhor índice de eficiência entre os maiores bancos do país. Com 10 pontos percentuais à frente do Bradesco e mais de 10 à frente do Itaú”, afirmou ao informar os índices de cada um dos cinco maiores bancos. “A sociedade e os funcionários (e o Fausto é um funcionário) não podem deixar se enganar que ‘o mercado’ quer o bem do Banco do Brasil e da sociedade. Eles querem lucro cada vez maior, mesmo se for necessário sacrificar os funcionários e o povo”, completou.
Eficiência
O índice de eficiência indica quanto custa para o banco gerar receita. Quanto menor for o índice, menor o custo e mais eficiente é o banco. Em 2020, o índice de eficiência do Banco do Brasil foi de 36,6%. O segundo em eficiência foi o Santander, com 37%; seguido pelo Bradesco, com 46,3%; Itaú, com 47,1%; e pela Caixa Econômica Federal, com 58,97%. Em 2019 o BB, já ocupava a liderança, com 36,1%, assim como nos anos anteriores.
O índice da Caixa é maior porque o banco mantém uma estrutura de agências e funcionários dedicada a atender programas de Governo Federal, como o Bolsa Família e Auxílio Emergencial, que não são operações rentáveis do ponto de vista dos indicadores financeiros da empresa, como o índice de eficiência, mas trazem enorme retorno para a sociedade brasileira.
Com relação ao lucro, Fukunaga também lembra que já faz muitos anos que o banco apresenta resultados positivos. “O BB já passou pelas reestruturações necessárias para transformá-lo em uma instituição eficiente e lucrativa. As estruturações que vem ocorrendo nos últimos três, ou quatro anos são para saciar a sede de lucro dos acionistas minoritários e para preparar a instituição para a entrega do patrimônio público ao mercado, com uma possível privatização, ou perda de competitividade”, concluiu.
Estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o Brasil é a única grande economia que está em desaceleração em 2021. Além disso, o relatório Focus, do Banco Central (BC), aumentou as projeções de inflação e reduziu as expectativas de crescimento. Sem políticas de contenção da pandemia, a covid-19 continua a assolar o país, aumentando as incertezas dos agentes econômicos.
De acordo com o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, os dados da OCDE apontam que os países com melhores perspectivas de crescimento da economia foram aqueles que adotaram políticas bem-sucedidas no enfrentamento da pandemia. O que, mais uma vez faz cair por terra a falsa dicotomia entre preservar vidas e manter a economia funcionando.
“O Brasil está nesse grupo de países que não conseguem nem repor as perdas do ano passado. Estamos terminando o primeiro quadrimestre, e o país continua como se estivesse em 2020”, disse Fausto, em entrevista a Glauco Faria no Jornal Brasil Atual desta quarta-feira (14).
O cenário atual é ainda mais grave, segundo ele, pois o governo Bolsonaro abriu mão de ferramentas de manutenção do emprego que foram utilizadas no ano passado. Houve apenas a reedição do auxílio emergencial. Ainda assim, com valores reduzidos e atendendo a um público muito menor.
Dependência
Por outro lado, além dos impactos na economia, a pandemia também desnudou a fragilidade do setor industrial do país. No ano passado, com a eclosão da doença, houve até mesmo a escassez de máscaras. Atualmente, a produção de oxigênio – outro insumo básico – também encontra dificuldades para suprir o aumento da demanda. Ao mesmo tempo, o redução dos investimentos em inovação e pesquisa acentuou a dependência do Brasil em relação à importação de insumos farmacêuticos voltados para a produção de vacinas e medicamentos.
“Com relação à química fina, China e Índia são referências, em especial na produção de fármacos. Por outro lado, no Brasil, temos basicamente duas fábricas para a produção de vacinas. Ambas estatais. O Brasil, de certo modo, abandonou os investimentos na indústria de fármacos. Predomina claramente a prioridade em relação ao setor agroexportador. A gente tem mais fábricas de vacinas de bovinos do que de humanos”, criticou Fausto.
Funcionários do Banco do Brasil estão sendo obrigados a trabalhar presencialmente nos escritórios de Belo Horizonte, mesmo quando suas funções não exigem o atendimento pessoal dos clientes. Em mesa de negociações, o banco havia se comprometido a encaminhar estes trabalhadores para o trabalho remoto em home office para evitar a propagação ainda maior da Covid-19.
Em texto publicado em seu site, o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região afirma que “vários funcionários têm ligado e mandado mensagens para os dirigentes sindicais assustados e revoltados por entenderem que poderiam realizar o trabalho em home office.”
O sindicato disse ainda que já procurou o banco e alguns gestores liberaram os funcionários para o trabalho remoto durante esta fase da pandemia, mas outros se mantiveram irredutíveis e insistem em fazer com que bancários saiam de casa sem necessidade. Como as conversas não surtiram efeito, encaminhou as denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Prefeitura de Belo Horizonte.
“Exigimos o bom senso dos gestores do BB para que eles providenciem para que os serviços internos sejam executados em teletrabalho”, afirmou Rogério Tavares, funcionário do Banco do Brasil e diretor do sindicato.
Descumprimento de acordo
O coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, ressalta que as denúncias permaneceram mesmo após a reunião de negociações com a Federação Nacional dos Bancos, na qual o BB assumiu o compromisso de manter em home office os funcionários que não precisam atender o público presencialmente.
“O Banco do Brasil já divulgou protocolos de segurança se comprometendo de mandar estes trabalhadores para o home office, mas percebemos que existe uma distância enorme entre o que a instituição assume oficialmente e a prática de gestores inescrupulosos, que colocam a meta acima do bem estar dos funcionários”, afirmou Fukunaga. “Esta insensibilidade pode custar vidas. O banco tem que ensinar aos seus gestores como fazer gestão no trabalho home office e não exigir a presença dos funcionários. Isso é coisa de gestor que quer a presença dos funcionários para praticar a intimidação pessoal”, completou.
Para Fukunaga, este caso de Belo Horizonte deve ser solucionado exemplarmente pelo banco, para mostrar que a instituição não vai tolerar o desrespeito ao que foi acordado. “Ou o banco resolve isso rapidamente, ou haverá outros gestores que vão querer fazer igual. Aí, poderemos entender que não são alguns gestores, mas a instituição que está descumprindo o que foi acordado”, concluiu o coordenador da CEBB.