Maio 29, 2026
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A direção da Caixa Econômica Federal divulgou, na tarde da última terça-feira (18), um ofício destacando que as bases que não aprovaram proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico do plano de saúde não poderão acessar as conquistas negociadas para o Saúde Caixa.

No ofício, a empresa argumenta que sem a adesão ao ACT, não será possível preservar o modelo de custeio do plano de saúde. "Como representantes das empregadas e empregados, vamos questionar que tipo de assistência saúde a caixa pretende implementar, e nos mantemos à disposição das bases que não aprovaram o acordo específico para o Saúde Caixa", destacou Felipe. 

Após meses de negociações e de fortes mobilizações ocorridas em todo o país, o banco concordou, no dia 10 de outubro, com o reajuste zero no plano de saúde, ao aceitar a proposta dos empregados de renovação do ACT do Saúde Caixa com a manutenção do percentual do salário a ser pago pelos titulares (3,5%) e do valor fixo pago pelos dependentes (R$ 480).

Seguindo o rito de transparência e legitimidade das decisões que afetam bancários e bancárias de todo o país, a proposta foi submetida, ainda em novembro, à votação em assembleias que ocorreram em bases de todo o país. Do total de votantes no sistema centralizado pela Contraf-CUT (que representa cerca de 100 sindicatos), 65,84% foram favoráveis ao acordo.

Já as assembleias do Sindicato de São Paulo, Osasco e Região; do Sindicato dos Bancários da Bahia; e do Sindicato dos Bancários Espírito Santo, que utilizaram sistemas próprios de votação, os resultados das assembleias pela aprovação foram, respectivamente, 71,58%; 61% e 59%.

Com a aprovação de maioria expressiva das bases, o próximo passo será a assinatura, dia 11 de dezembro, do novo ACT Saúde Caixa, que passará a valer 1º de janeiro, com vigência até 31 de agosto de 2026.

Porém, a proposta vigente do Saúde Caixa, ou seja, não o acordo prestes a ser assinado entre o banco e a representação dos empregados, já havia sido recusado por algumas bases. E são essas que o banco informou, em ofício divulgado ontem, que não poderão acessar os direitos conquistados no acordo mais recente para o plano de saúde.

"Em um momento em que milhões de brasileiros e brasileiras enfrentam aumentos recordes nos planos de saúde, o reajuste zero foi uma conquista dos empregados e empregadas da Caixa", afirmou Felipe. "Nós vamos, agora, avaliar os impactos deste ofício, analisaremos os pontos colocados pelo banco, nos mantendo à disposição das bases afetadas”, reforçou o coordenador da CEE.

Veja abaixo o resumo das conquistas na proposta que será assinada em 11/12

Pauta de Reivindicações Atendidas
•    Reajuste zero, permanecendo as regras atuais;
•    Respeito ao pacto intergeracional e mutualismo;
•    Ampliação do plano de saúde para filhos até 27 anos (R$ 800,00);
•    ACT válido até a próxima data-base (31/08/2026).

Outros pontos negociados em 2025
•    Serão vertidas ao Saúde Caixa as contribuições, patronal e pessoal, incidentes sobre valores pagos a empegados e ex-empregados, decorrentes de processos judiciais trabalhistas individuais, coletivos e acordo judiciais que tenham como objeto parcelas de natureza salarial. (a partir da assinatura do acordo);
•    Carência de 3 meses para novos contratados;
•    Elaboração de medidas estruturantes em 2026, com vistas à sustentabilidade do plano. Com retomada já em fevereiro das mesas permanentes de negociação com vistas a preparar o debate para o próximo ano.

Fonte: Contraf-CUT

O Sindicato dos Bancários da Baixada Fluminense realizou, nesta quarta-feira, 19 de novembro, um ato pela campanha contra demissões e fechamento de agências do Banco Bradesco.

A campanha, criada pela Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, que assessora a Contraf-CUT e o Comando Nacional dos Bancários nas negociações e na relação sindical com o banco, tem como objetivo denunciar estas práticas à sociedade e, também, alertar a categoria sobre estes malefícios.

Com o tema “Saca só, Bradesco! Demitir Pra quê? Fechar pra quê?”, a campanha foca, principal e primeiramente, nas demissões.

Posteriormente, os focos passam a ser o fechamento de agências e a qualidade do plano de saúde dos funcionários.

DEMISSÕES E PRECARIZAÇÃO

De junho de 2024 a junho de 2025, o Bradesco fechou 342 agências, 1.002 postos de atendimento e 127 unidades de negócios no país, deixando bancários e bancárias sem emprego e precarizando o atendimento à população.

Os bancários do Bradesco de todo o país aprovaram, em assembleia virtual realizada na última sexta-feira (14), a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) referente ao Sistema de Registro Eletrônico de Jornada. A votação ficou aberta entre 9h e 18h. Das 116 entidades que realizaram as assembleias pelo Votabem, 114 aprovaram.

Na Baixada Fluminense, o acordo foi aprovado por 85,71% dos votantes. 

A proposta aprovada mantém o sistema de ponto eletrônico já utilizado pelos trabalhadores, mas dá início a uma fase de evolução tecnológica que será implementada ao longo de toda a vigência do acordo, entre 2025 e 2027. A principal mudança será a migração gradual do registro do ponto — atualmente feito no relógio de parede — para o computador dos bancários, em todas as agências e departamentos do banco. 

Entre as novidades estão:

  • Mensageria: avisos na tela alertando o trabalhador quando a jornada estiver prestes a terminar ou quando apontar início de hora extra,  por exemplo;
  • Trava-tela: bloqueio automático da estação de trabalho quando houver irregularidades na marcação do ponto, impedindo o bancário de trabalhar até a regularização.

O acordo não prevê uso de celular, geolocalização ou qualquer forma de monitoramento adicional. As mudanças foram apresentadas pelo banco à Comissão de Organização dos Empregados (COE), com cronograma definido para implementação nacional.

Para Erica de Oliveira, coordenadora da COE, o resultado representa um avanço importante para a categoria. “A aprovação deste acordo é uma conquista que reforça a proteção da jornada dos bancários. O novo sistema traz mecanismos que podem evitar abusos e garantir maior transparência nas marcações. Agora, nossa expectativa é que todas as melhorias sejam implementadas dentro dos prazos acordados e que cada trabalhador tenha segurança e autonomia para acompanhar seu próprio registro. O movimento sindical seguirá atento e pronto para cobrar sempre que necessário,” afirmou.

Os representantes dos trabalhadores reforçam que não há qualquer alteração além do que já estava previsto sobre o registro do ponto eletrônico. Os bancários não votaram nada que trate de não pagamento de horas extras ou de instituição de banco de horas. O acordo aprovado é exatamente o que a categoria já conhece, incorporando apenas as melhorias construídas ao longo dos anos pelo movimento sindical — entre elas, a transição do relógio de ponto para o registro diretamente na estação de trabalho, com travas que garantem segurança e transparência no controle da jornada.

*com informações da Contraf-CUT

A Contraf-CUT, por meio da Secretaria de Cultura, prorrogou até o dia 19 de novembro o prazo de inscrições para a 3ª Copa Contraf-CUT de Futebol Virtual (EA FC 25), antigo FIFA. A competição será realizada no dia 22 de novembro, a partir das 10h, e promete mais uma edição marcada por integração, lazer e muita disputa saudável entre bancários e bancárias de todo o país.

Consolidado como um dos eventos culturais mais esperados da categoria, o campeonato foi organizado para até 64 participantes e será disputado em três plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X/S e computadores (PC). As semifinais e a final terão transmissão ao vivo pelos canais oficiais da Contraf-CUT.

Inscrições seguem abertas até 19 de novembro

As federações e sindicatos da base da Contraf-CUT podem indicar bancários e bancárias sindicalizados ou seus dependentes diretos (filhos e cônjuges). A taxa de inscrição é de R$ 50,00 por participante, e o cadastro deve ser realizado diretamente nos sindicatos de base.

Formato da competição

A Copa será organizada em parceria com a SMU Games, responsável pela organização técnica, arbitragem e transmissões.

Os confrontos poderão ocorrer em fase de grupos e/ou mata-mata, conforme o número final de inscritos.

Fase de grupos: jogos de ida; os dois melhores de cada grupo avançam.

Mata-mata: jogos de ida e volta até as quartas de final.

Semifinais e final: disputadas em jogo único.

Todas as partidas acontecerão online, e os competidores deverão garantir conexão mínima de 20 MB (ou 50 MB para quem for transmitir suas partidas). 

Premiação

Os quatro primeiros colocados receberão premiação em dinheiro:

1º lugar: R$ 3.000

2º lugar: R$ 1.500

3º e 4º lugares: R$ 500 cada

As partidas decisivas terão narração profissional e transmissão ao vivo no YouTube e Facebook da Contraf-CUT. 

Mais do que um torneio: um espaço de convivência e união

Para o secretário de Cultura da Contraf-CUT, Carlos Damarindo, a Copa já se consolidou como um momento importante de integração da categoria. “A proposta da Copa é promover união, lazer e interação entre trabalhadores do ramo financeiro. O sindicalismo também é espaço de convivência, amizade e diversão, e esse evento reforça o papel da cultura na aproximação das pessoas”, afirma.

Fonte: Contraf-CUT

O Banco do Brasil registrou lucro de R$ 3,785 bilhões no 3º trimestre de 2025, resultado praticamente estável em relação ao trimestre anterior. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o lucro líquido ajustado somou R$ 14,943 bilhões, uma queda de 47,2% na comparação com igual período de 2024, quando alcançou R$ 28,317 bilhões.

O resultado foi impactado principalmente pela deterioração dos indicadores de risco da carteira, em especial no segmento agro. A inadimplência do agronegócio vem subindo de forma contínua, passando de 1,97% no 3º trimestre de 2024 para 5,34% no trimestre atual. Essa piora elevou de forma significativa o volume de provisões, pressionando diretamente o lucro. As despesas com Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) cresceram 48,7% em 12 meses, totalizando R$ 47,129 bilhões entre janeiro e setembro de 2025.

Por outro lado, a carteira de crédito ampliada apresentou avanço de 7,5% em 12 meses — impulsionada pelas altas de 10,4% na carteira PJ, 7,9% na carteira PF e 3,2% na carteira agro. Já as receitas com tarifas bancárias e prestação de serviços recuaram 1,2%, somando R$ 25,978 bilhões nos primeiros nove meses do ano.

Redução de trabalhadores e aumento da pressão por metas

Ao final de setembro de 2025, o BB contava com 85.802 funcionários, uma redução de 1.299 postos de trabalho em 12 meses e de 157 somente no trimestre. Mesmo com o quadro mais enxuto, o banco apresentou índice de eficiência de 28,1%, o que indica intensificação do ritmo de trabalho e maior sobrecarga para os funcionários.

Para Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), a postura da direção do BB precisa ser revista. “Para reverter o menor lucro, a direção do BB tem sustentado um modelo de gestão baseado em pressão por metas descoladas da realidade, o que intensifica o ritmo de trabalho e leva muitos colegas ao adoecimento. Esse ambiente, marcado por cobrança excessiva e tensão constante, prejudica tanto os trabalhadores quanto a qualidade do atendimento à sociedade.”

Ela reforça que, como instituição pública, o Banco do Brasil tem responsabilidades que vão além do resultado financeiro. “O BB tem a missão de fomentar o desenvolvimento, apoiar o pequeno agricultor, ampliar o crédito sustentável e garantir acesso ao crédito para os trabalhadores. Para cumprir esse papel estratégico, é essencial manter uma estrutura sólida de agências e profissionais capaz de atender a diversidade de públicos e territórios do país.”

As despesas com pessoal caíram 10,6% em 12 meses, totalizando R$ 21,3 bilhões, enquanto as receitas com tarifas e serviços somaram R$ 25,9 bilhões — sinal de que o banco mantém receitas elevadas sobre sua base de clientes, mesmo adiando a reposição necessária de trabalhadores.

Negociação sobre metas e contratações já está em pauta

Diante desse cenário, Fernanda afirma que o movimento sindical seguirá cobrando soluções concretas. “Exatamente por esse cenário de sobrecarga e redução de pessoal, já está acordada uma mesa específica para debater metas. Também continuamos cobrando mais contratações, porque não é possível manter um banco público forte sem valorizar e ampliar seu quadro de trabalhadores.”

Fonte: Contraf-CUT

Começa nesta segunda-feira, 17 de novembro, a pesquisa para a análise das condições de trabalho e saúde mental da categoria bancária. 

A pesquisa é uma parceria entre o Sindicato dos Bancários da Baixada Fluminense e o Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

IMPORTANTE: A PESQUISA É 100% CONFIDENCIAL, seguindo os padrões rigorosos de ética e confidencialidade, com total respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.

ENTENDA

Nos últimos anos, a categoria tem enfrentado um aumento preocupante de doenças como o burnout, ansiedade, depressão, síndrome do pânico, insônia e o uso abusivo de substâncias (psicofármacos e psicotrópicos), com impactos diretos na produtividade, na convivência e na vida pessoal dos bancários.

Por isso, é fundamental identificar a associação entre condições de trabalho, fatores de risco e problemas de saúde, existentes na categoria.

PARA PARTICIPAR

Para responder o questionário e participar da pesquisa, basta clicar no link: https://redcap.link/bancarios_b

Ou pelo QR Code:

qr-code-bancarios-b.png

Sua participação é fundamental!

O Centro de Formação Profissional 28 de Agosto lança nova turma do curso “Paternidade e Maternidade com Relações Compartilhadas, destinado aos interessados em aprender a construir boas relações com os filhos.

As inscrições já podem ser feitas (clique aqui) para as aulas que serão ao vivo e totalmente online, de 1 a 4 de dezembro (segunda a quinta), das 19h30 às 21h30.

Para o público em geral, o valor total é R$ 280, mas para os bancários filiados aos sindicatos da base da Contraf-CUT o valor é de apenas R$ 180.

Bancário, amplie sua licença paternidade para 20 dias!

O curso é pré-requisito para que os bancários tenham a licença-paternidade de 20 dias - uma conquista da categoria, obtida na Campanha Nacional de 2016.

"O curso paternidade responsável é fundamental para que os homens compreendam a dinâmica de lidar com uma criança recém-nascida, algo que historicamente foi delegado apenas às mulheres. Por isso, nós incentivamos a inscrição dos colegas neste curso, para que possam compartilhar, da forma mais justa possível, esse trabalho de cuidado com os filhos, e assim reduzir o peso que recai mais sobre as mulheres", destaca a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes.

“O curso é interdisciplinar, realizado por professores de diversas áreas da educação, psicologia, sociologia e médica", explica uma das docentes do curso, Ana Tercia Sanches. "A chegada de uma criança é um momento especial, que ficará marcado na vida dos pais e das mães, afinal, no corre-corre da vida destinamos pouco tempo para pensar nestas relações e cuidados tão essenciais”, observou.

Para mais informações e para inscrições acesse o link - Paternidade e Maternidade com Relações Compartilhadas.

Fonte: Contraf-CUT

As empregadas e empregados da Caixa Econômica Federal, titulares do Saúde Caixa, aprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico do plano de saúde em assembleias realizadas por sindicatos da categoria em todo o país. Do total de votantes no sistema centralizado pela Contraf-CUT, 65,84% foram favoráveis ao acordo.

O acordo foi aprovado em todas as capitais e nas grandes bases sindicais, exceto em Belo Horizonte. A deliberação foi realizada de forma remota, por meio de plataforma eletrônica de votação, das 19h de terça-feira (11), às 14h desta quarta-feira (12). Aposentados e pensionistas titulares do plano também participaram do pleito. O resultado não inclui as bases do Seeb/SP, Seeb/BA e Seeb/ES, que utilizam sistema próprio de votação.

Em Brasília, 65,31% dos votantes aprovaram o acordo. Na base do Seeb/BH o acordo foi rejeitado. Nas bases do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (Seeb/SP), Seeb/BA e Seeb/ES, que utilizam sistema próprio de votação, o acordo foi aprovado com 71,58%, 61% e 59% dos votos, respectivamente.

BAIXADA FLUMINENSE 

Na Baixada Fluminense, a proposta foi rejeitada com 78,16% dos votos contrários e 20,69% de votos a favor.

O Sindicato aguarda as novas orientações da CEE-Caixa, da Contraf-CUT e do Comando Nacional para os próximos encaminhamentos.

O mercado de trabalho brasileiro segue apresentando recuperação em 2025, mas o cenário positivo não se repete no setor bancário. De acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), entre janeiro e setembro deste ano o país registrou saldo de +1,7 milhão de empregos formais, enquanto o ramo financeiro, excluindo a categoria bancária, teve aumento de 15,9 mil postos de trabalho.

Entretanto, o setor bancário caminha na direção oposta: 8.807 vagas foram eliminadas nos nove primeiros meses de 2025, e 1.866 somente em setembro, um dos piores resultados mensais desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020. O resultado reflete, em grande parte, as demissões em massa promovidas pelo Banco Itaú, que impactaram diretamente o saldo negativo do período.

“O fechamento de postos de trabalho nos bancos contrasta com o bom desempenho da economia e do próprio sistema financeiro, que tem apresentado lucros bilionários. Isso mostra que a digitalização tem sido usada como justificativa para reduzir pessoal e precarizar o atendimento, em vez de gerar oportunidades e melhorar as condições de trabalho”, afirmou Walcir Previtale, secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT.

Segundo ele, o movimento de reestruturação promovido pelas instituições financeiras vem provocando uma redução contínua do número de agências e da força de trabalho, com impacto direto na qualidade do atendimento e no emprego bancário. “Os bancos estão cada vez mais concentrados nas plataformas digitais, mas isso não significa que o trabalho diminuiu. Pelo contrário, há sobrecarga nas equipes e fechamento de unidades que prestavam serviços essenciais à população”, destacou Walcir.

Desde o início da série histórica do Novo Caged, em janeiro de 2020, o setor bancário acumula perda de 23,8 mil vagas, resultado de sucessivas reestruturações e mudanças no modelo de atendimento. Em contrapartida, a Caixa Econômica Federal tem sido exceção, com saldos positivos de emprego em todas as bases de comparação.

A análise regional mostra que, nos últimos 12 meses, houve fechamento de vagas em todas as regiões do país, com exceção do Centro-Oeste. As maiores perdas ocorreram no Sudeste (-5.956 vagas), seguido pelo Sul (-2.144), Nordeste (-940) e Norte (-318).

Na cidade de São Paulo, onde estão sediados os principais bancos privados, a retração foi ainda mais expressiva. Após um período de estabilidade, o mercado de trabalho bancário voltou a cair de forma acentuada, com destaque para 1.358 vagas eliminadas em agosto e 2.676 desligamentos em setembro, reflexo direto das demissões no Itaú.

Além da redução de pessoal, a análise revela mudanças estruturais nas ocupações bancárias. O crescimento das contratações se concentra em áreas de tecnologia e inovação, como analistas e programadores de sistemas, enquanto cargos tradicionais das agências, como gerentes administrativos e de contas, sofrem forte retração.

Outro ponto de preocupação é o impacto desigual das demissões sobre as mulheres. Cerca de 66% dos postos fechados em 2025 eram ocupados por trabalhadoras, o que reforça a desigualdade de gênero no setor, sobretudo diante da predominância masculina nas áreas de tecnologia.

“Os dados mostram que, além de eliminar vagas, o setor bancário reproduz desigualdades históricas. É preciso garantir que o avanço tecnológico venha acompanhado de políticas reais de equidade de gênero e raça, e não de exclusão”, ressaltou Walcir Previtale.

A análise por faixa etária aponta crescimento apenas entre trabalhadores com até 29 anos, enquanto há queda significativa nas demais faixas, indicando um processo de substituição etária e de perda de profissionais mais experientes.

No recorte racial, as estatísticas mostram saldo positivo de 104 vagas para pessoas pretas e queda de 1.357 postos para pardos, além da redução mais expressiva entre brancos (-7.120). O quadro reflete a composição do setor, em que pessoas brancas representam 68,5% dos trabalhadores bancários.

Em relação à remuneração, o salário médio dos admitidos em 2025 foi de R$ 7.743,43, equivalente a 90% do valor médio dos desligados (R$ 8.589,85). Ainda assim, os rendimentos no setor continuam muito superiores à média nacional (R$ 2.286,34).

A diferença salarial por gênero e raça segue expressiva: mulheres negras recebem, em média, 55% do salário dos homens não negros na admissão e 58% no desligamento. “Essas distorções comprovam que o racismo e o machismo estruturais também se manifestam nas relações de trabalho dentro dos bancos. Por isso, é fundamental manter viva a atuação da Contraf-CUT nas mesas de negociação de igualdade de oportunidades”, concluiu Walcir Previtale.

Fonte: Contraf-CUT

 

O VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro encerrou-se na última sexta-feira (7), em Fortaleza (CE), com a aprovação unânime da Carta de Fortaleza, um documento que reúne propostas estratégicas para o enfrentamento do racismo e a promoção da igualdade racial no setor financeiro.

Realizado na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará, o encontro reuniu cerca de 120 delegados e delegadas de sindicatos e federações de trabalhadores do ramo financeiro de todo o país, consolidando-se como um dos espaços mais importantes de reflexão e formulação de políticas de combate à discriminação racial.

Durante dois dias de debates, painéis, exposições e trocas de experiências, o Fórum aprofundou temas como desigualdade racial, políticas afirmativas, condições de trabalho, violência estrutural e os desafios trazidos pela transformação digital e pela inteligência artificial. As discussões resultaram na elaboração de uma agenda que reafirma o compromisso do movimento sindical bancário com a construção de um sistema financeiro mais justo, inclusivo e representativo da diversidade brasileira.

A Carta de Fortaleza propõe uma série de ações que serão levadas às minutas de reivindicações da categoria, com desdobramento nas conferências regionais e nacional da Campanha 2026, garantindo que a luta por igualdade racial se traduza também em conquistas na Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários.

Entre as propostas aprovadas estão:

  • Realizar formações com temática racial, em parceria com a Secretaria de Formação Sindical;
  • Propor projetos de financiamento permanentes para o Fórum Nacional pela Visibilidade Negra e demais ações de formação;
  • Incluir trabalhadores terceirizados nas ações e debates sobre racismo;
  • Promover atos e manifestações em todas as datas relacionadas à luta racial, com o slogan “Vamos abolir a discriminação e promover a inclusão, por mais contratação de negros e negras nos bancos”;
  • Criar e fortalecer Coletivos de Combate ao Racismo em federações e sindicatos;
  • Construir protocolos antirracistas com amparo psicológico e jurídico às vítimas de racismo no ambiente de trabalho;
  • Acompanhar e monitorar a inserção e ascensão de pessoas negras no sistema financeiro e no movimento sindical;
  • Estabelecer parcerias com movimentos negros e realizar audiências públicas sobre a temática racial;
  • Defender a implementação da Lei 10.639/2003, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas;
  • Cobrar do Estado ações concretas contra o racismo estrutural, a desigualdade e a letalidade da juventude negra;
  • Realizar o Fórum Nacional pela Visibilidade Negra anualmente e de forma itinerante.

Para a secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Elaine Cutis, o evento cumpriu plenamente seu papel ao unir formação, mobilização e encaminhamentos práticos. “Este Fórum superou as expectativas. Saímos daqui com mais consciência, mais formação e, principalmente, com ações objetivas construídas coletivamente. É um passo importante para manter o debate racial no centro da ação sindical e transformar realidades dentro dos bancos”, afirmou.

Os dados apresentados durante o Fórum reforçaram a urgência de políticas efetivas: mulheres negras recebem, em média, 53% a menos que outros trabalhadores, e a juventude negra representa 79% das vítimas de homicídios registrados em 2024.

Para o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, o encontro foi fundamental para consolidar o acúmulo de diagnósticos e propostas que o movimento sindical vem construindo ao longo dos anos. “O Fórum mostrou, com precisão, que a luta contra o racismo precisa ser permanente e estruturada. Debatemos dados duros, ouvimos especialistas e, principalmente, construímos caminhos para avançar. A Carta de Fortaleza é um instrumento poderoso, porque traduz indignação em ação, análise em compromisso”, destacou.

Almir também reforçou que o sistema financeiro precisa enfrentar sua histórica desigualdade interna. “Sabemos que a presença negra ainda está concentrada nas bases dos bancos, e isso não é aceitável. A partir deste Fórum, reforçamos a exigência de políticas reais de inclusão, formação e ascensão profissional. É desta maneira que precisamos transformar o sistema financeiro e contribuir para transformar a sociedade”, concluiu.

O VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro marcou simbolicamente o início do Mês da Consciência Negra, reafirmando o compromisso da Contraf-CUT e das entidades sindicais com a memória de Zumbi dos Palmares, a luta antirracista e a construção de um país mais igualitário.

Fonte: Contraf-CUT