Os sindicatos de bancários em todo o Brasil aprovaram, em assembleias realizadas nesta sexta-feira (29), a proposta do Bradesco para o novo Programa de Participação nos Resultados (PPR), chamado Supera.
Na Baixada Fluminense, a aprovação foi de 81,48%.
Nas bases que utilizaram a plataforma Vota Bem, a aprovação foi de 93,3% dos votos. Outros sindicatos, como os de São Paulo, realizaram assembleias em seus próprios sistemas, também com aprovação da proposta.
O Supera amplia o alcance da participação nos resultados para milhares de bancários, substituindo o antigo Prêmio por Desempenho Extraordinário (PDE), que era restrito à área comercial. O novo programa é estruturado em três ciclos, sendo que o primeiro contemplará cerca de 48 mil funcionários — aproximadamente 65% do quadro do banco.
Serão incluídos:
Diferentemente do PDE, que só pagava resultados acima de 101% da meta, o Supera passa a contemplar bancários que atingirem 95% dos objetivos estabelecidos.
Serão contemplados os funcionários que atingirem 95% dos objetivos estabelecidos, diferente do PDE, que premiava apenas resultados a partir de 101%. Além disso, o programa inclui o Programa de Remuneração Bradesco (PRB), no valor mínimo de R$ 1.000, destinado aos trabalhadores da força de vendas que não atingiu, pelo menos 95% das metas, e aos trabalhadores que não são da força de venda, pago no início do ano subsequente. O valor está condicionado ao atingimento do ROAE de 15,5% em 2025 — indicador que mede a rentabilidade do banco com base no patrimônio líquido médio. Caso o ROAE atinja 17%, o valor do PRB será de R$ 2.000, e se chegar a 18,5%, o pagamento será de R$ 2.500.
O pagamento do Supera será semestral, ampliando as possibilidades de recebimento mesmo em períodos de desempenho abaixo do esperado.
A coordenadora da COE Bradesco, Erica de Oliveira, agradeceu a expressiva participação dos bancários na votação e destacou a importância da conquista. “Agradecemos a confiança da categoria nesse processo. A aprovação do Supera é um passo importante, já que a contratação da remuneração total é um ponto da nossa minuta de reivindicações entregue ao banco. Pela primeira vez, o Bradesco aceitou discutir esse formato, que já existe em outros bancos. Começamos com um ciclo que abrange mais da metade dos trabalhadores, mas ainda há áreas de fora, e a COE vai se dedicar a incluir esses bancários nos próximos períodos.”
Erica também reforçou que os valores do Supera não serão descontados da PLR, que continuará sendo paga com base no lucro líquido e nas regras da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Nos próximos dias, a Contraf-CUT e a COE Bradesco devem assinar o acordo com o banco.
O pagamento do Supera ocorrerá em duas parcelas:
Setembro – primeira parcela, destinada à chamada força de vendas, junto com a PLR.
Fevereiro ou março – segunda parcela, paga após a divulgação do lucro anualizado de 2025, juntamente com a segunda parcela da PLR. Os trabalhadores elegíveis ao PRB também recebem nesta data.
Nesta quinta-feira, 28 de agosto, é celebrado o Dia do Bancário. Mais do que uma simples data comemorativa, o dia deve ser lembrado como símbolo da luta que a categoria vem travando ao longo das décadas em defesa de melhores condições de trabalho, salários dignos e reconhecimento pelo papel fundamental que exerce na economia e na sociedade brasileira.
Os bancários e bancárias são responsáveis por sustentar os altíssimos lucros do sistema financeiro nacional. Ainda assim, enfrentam uma dura realidade marcada por cobranças abusivas de metas, adoecimento, demissões e fechamento de agências. Por isso, a data é também um chamado à mobilização para as constantes campanhas da categoria, para garantir novas conquistas e avançar na defesa de direitos.
O 28 de agosto de 1951 ficou marcado como o dia em que os bancários cruzaram os braços para reivindicar reajuste de 40%, enquanto os bancos ofereciam apenas 20%. À época, o governo apontava inflação de 15,4%. Mas, após contestação da categoria, os próprios índices oficiais foram revistos e reajustados para 30,7%.
A greve, que durou 69 dias (a maior paralisação da história da categoria), resultou em um reajuste de 31%. Desde então, a data passou a ser celebrada como o Dia do Bancário.
A histórica mobilização de 1951 deixou marcas profundas:
O 28 de agosto também é um marco para o conjunto da classe trabalhadora: foi nesta data, em 1983, durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que nasceu a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Criada em plena ditadura militar, a CUT se consolidou como a maior central sindical do país, desempenhando papel decisivo nas lutas democráticas, na defesa dos direitos sociais e na organização dos trabalhadores e trabalhadoras em diversas categorias.
Assim como em 1951, a categoria bancária segue enfrentando ataques e desafios. A luta contra a precarização do trabalho, contra a redução de direitos e pela valorização profissional continua.
Por isso, o Dia do Bancário não é apenas uma data para recordar o passado, mas para renovar a disposição de luta. A cada negociação coletiva, a cada mobilização em defesa do emprego e da dignidade, reafirma-se o legado de coragem que transformou o 28 de agosto em símbolo da resistência da categoria.
Parabéns, bancários e bancárias! Que esta data siga inspirando união, mobilização e conquistas!
Fonte: Contraf-CUT
O Sindicato dos Bancários da Baixada Fluminense realizou mais uma atividade, nesta quinta-feira (28/8), em defesa dos empregos e contra o fechamento de agências, promovidos pelo Itaú Unibanco.
Desta vez, os diretores e diretoras do Sindicato estiveram na agência 8427, em Nilópolis, para protestar contra o fechamento do local, previsto para o dia 29 de setembro.
Segundo o banco, os funcionários serão transferidos para agências próximas.
Os dirigentes sindicais conversaram com os funcionários e clientes, detalhando como o fechamento de uma agência é maléfico para a economia, para o entorno da região e para os trabalhadores.
LUCROS, DEMISSÕES E FECHAMENTO DE POSTOS DE TRABALHO
O Itaú Unibanco obteve um lucro líquido gerencial de R$ 22,6 bilhões no primeiro semestre de 2025, resultado 14,1% superior ao registrado no mesmo período de 2024 e 3,4% maior em relação ao trimestre anterior. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE), no Brasil, foi de 23,9%, com crescimento de 0,9 ponto percentual em doze meses.
Apesar do lucro bilionário e da queda na inadimplência para 1,9% (redução de 0,8 p.p.), assim como na provisão para devedores duvidosos (PDD), que caiu 8,7%, o Itaú manteve sua política de cortes. A holding fechou 518 postos de trabalho em doze meses, sendo 504 deles apenas no segundo trimestre deste ano. O número total de empregados caiu para 85.775 no país. No mesmo período, foram encerradas 223 agências físicas.