Abril 07, 2026
Slider
Imprensa

Imprensa

A direção da Caixa estipulou, unilateralmente, um prazo para que os empregados interessados nas mudanças de função e lotação, relacionadas a reestruturação do banco, se manifestem até o dia 12 de fevereiro, às 19h. A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) orienta os trabalhadores que aguardem e busquem retirar todas as dúvidas até que se encerre a mesa de negociação da Comissão com a direção do banco, marcada para quarta-feira (12), às 9h, para fazerem a manifestação. Aqueles que já optaram pela mudança, é possível cancelar a decisão e aguardar as respostas aos questionamentos.

Segundo afirmou o coordenador da CEE/Caixa, Dionísio Reis, os trabalhadores devem ter calma ao tomar a decisão e reforçou que a ordem de manifestação não é um critério definitivo para a mudança. “A Caixa estipulou o prazo para os trabalhadores antes da reunião que teremos nesta quarta-feira, isto mostra que ela não tem intenção em negociar. Então, orientamos os trabalhadores que aguardem antes de tomarem a decisão e tirem todas as dúvidas. Na reunião com a direção, vamos buscar esclarecer todos os pontos que estão gerando as dúvidas dos empregados”, ressaltou.

Por pressão da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), solicitando explicações e o cumprimento da cláusula 48 do Acordo Coletivo de Trabalho sobre o processo de reestruturação que exige negociação prévia, a reunião com a Caixa foi agendada pela direção da instituição.

Os empregados que ainda estão com dúvidas com relação à reestruturação e as manifestações de mudanças de função e lotação podem enviar as perguntas para a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa responder junto à direção do banco.

Fonte: Contraf-CUT

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, não esconde seu desejo de ver o banco privatizado. Para ele, o Banco do Brasil é desnecessário. Diz que a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suprem as necessidades de fomento do crescimento econômico e social do país.

“O que ele não diz é que a Caixa também está sob ataque e passa por uma reestruturação semelhante à que ocorre no BB. Também não diz que no BNDES há escassez de recursos e o banco vive sob constante ataque. Mudaram sua política de atuação para tonar desinteressante a busca por fomentos do banco”, criticou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.

Fukunaga explica que é a tal da reforma administrativa, com a qual o governo quer reestruturar todas as empresas públicas, estabelecer novas regras para contratação, demissão e planos de carreiras. Além de limitar os “gastos” com a saúde dos funcionários, entre outros.

Também querem mudar a política de remuneração dos funcionários, com redução de salários e implantação de sistema de bônus por desempenho.

“O resultado desta política, aplicada em todos os bancos públicos, são as quedas das carteiras de crédito e as baixas taxas de investimento pelo Estado”, explicou o coordenador da CEBB, acrescentando que os bancos regionais e estaduais, como o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia e o Banco do Pará enfrentam a mesma situação.

Por que o BB é fundamental

Mas, para Fukunaga, a população e grande parte das empresas brasileiras precisam dos bancos e das empresas públicas de uma forma geral. “O Banco do Brasil é o responsável por aproximadamente 70% do crédito rural no país. Isso significa que o banco financia o agronegócio, que é quem ajuda a manter o equilíbrio da balança comercial brasileira. Mas, mais importante ainda, é quem financia a produção dos alimentos que chegam à mesa de todos os brasileiros. Sem o BB e a política de incentivo rural dado pelo banco, os alimentos vão ficar ainda mais caros”, afirmou.

“É por isso que lutamos contra a privatização do BB e também contra a política de Estado mínimo, em implantação pelo atual governo. Convocamos todos os funcionários do banco a se mobilizar e participar das atividades contra a venda do BB e toda essa política do governo”, concluiu o coordenador da CEBB.

Para além dos bancos

Mas, a política aplicada pelo governo nos bancos públicos não se restringe ao sistema financeiro. Petrobras, Eletrobras, Correios… todas as empresas públicas vivem a mesma situação.

“Quando o Rubem Novaes fala que o Banco do Brasil é desnecessário, pois já existem outros bancos para suprir a demanda por bancos públicos, precisamos analisar todo o contexto e ver que aqueles que ele diz que suprem as necessidades, também estão sob ataque e que, na verdade, isso faz parte da política de desmonte do Estado, para desobrigá-lo de oferecer serviços públicos para a população, que paga altos impostos justamente para ter esses serviços”, explicou o coordenador da CEBB.

Fonte: Contraf-CUT

Em um ano com redução da atividade industrial (-1,1%), a produção caiu em sete dos 15 locais pesquisados pelo IBGE, com altas em outros sete e estabilidade (0,2%) no estado de São Paulo.  As principais quedas em 2019 foram apuradas no Espírito Santo (-15,7%) e em Minas Gerais (-5,6%). E as maiores altas, no Paraná (5,7%) e no Amazonas (4%), conforme pesquisa divulgada nesta terça-feira (11).

Em dezembro, na comparação com igual mês de 2018, a atividade cai 1,2%, também com recuo em sete locais e novamente com destaque para Espírito Santo (-24,8%) e Minas Gerais (-13,6%). Em São Paulo, a retração foi de 1,6%. O IBGE apurou alta no Amazonas (12,2%), no Rio de Janeiro e no Ceará (4,5% nos dois casos), entre outros.

Já na passagem de novembro para dezembro, quando houve queda de 0,7%, o instituto registrou resultado negativo em 12 dos 15 locais. Os mais acentuados foram em Mato Grosso (-4,7%), no Rio de Janeiro (-4,3%) e em Minas Gerais (-4,1%). Houve recuo de 0,9% em São Paulo. Entre as altas, Paraná (4,8%) e Pará (2,9%).

Qualificação

Segundo pesquisa divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cinco em cada 10 empresas têm problemas com falta de trabalhadores qualificados. Essa porcentagem era de 66% em 2013, quando a taxa de desemprego era menor. Segundo a entidade, esse problema “deve se agravar à medida que aumentar o ritmo de expansão da economia e se tornará um dos principais obstáculos ao crescimento da produtividade e da competitividade do país”. A pesquisa foi feita com 1.946 indústrias.

“De imediato, é necessário um esforço de qualificação e de requalificação da força de trabalho. No longo prazo, é preciso intensificar os esforços para melhorar a qualidade da educação básica no Brasil, priorizando a educação profissional”, afirma a CNI. Na indústria de transformação, segundo a confederação, o setor que mais enfrenta problemas é o de biocombustíveis. Em seguida, vem o setor de móveis. Em terceiro, vestuário e produtos de borracha.

Entre as empresas que pontam dificuldades, a principal ocupação procurada é a de operador. Depois vêm trabalhadores de nível técnico, profissionais para vendas e marketing, administrativos, engenharia, gerencial e pesquisa e desenvolvimento.

Fonte: Rede Brasil Atual

O Banco do Brasil anunciou, no início de fevereiro, uma série de medidas que vai alterar a forma de remuneração na instituição. “O banco alega que potencializará os ganhos dos funcionários, com foco no reconhecimento a partir de seus desempenhos. Analisamos os principais pontos para mostrar que a verdade é bem diferente”, disse o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.

Redução da gratificação

Atualmente, é muito pequeno o número de funcionários que não têm gratificação de função. Desta forma, a redução de remuneração fixa vai atingir a grande maioria dos funcionários.

Redução da PLR

Além de reduzir o valor de referência (VR) da gratificação que o funcionário recebe mensalmente, o banco também reduz o valor da PLR paga aos funcionários, uma vez que esta leva em conta o VR. Assim, além de terem perda de remuneração mês a mês, os funcionários perderão também na PLR. Não podemos esquecer, ainda, que também há perda no valor do FGTS, 13º…, como já explicado mais acima.

Mudanças só valem para novos

O banco tenta amenizar os prejuízos que serão causados aos funcionários. Sabemos que o banco, vira e mexe, resolve fazer uma reestruturação obrigando as pessoas a irem para cargos e extinguindo outros. Isso faz com que todos os funcionários fiquem sujeitos a essas mudanças. Aliás, faz parte das mudanças atuais a extinção de cargos e a criação de outros.

Equiparar desempenho ao do mercado

O banco esconde que seu desempenho é melhor do que o dos bancos privados, como mostram os índices de eficiência dos bancos do Banco Central. No gráfico de eficiência fica claro que a liderança do BB é histórica. Também no aspecto tecnológico, o banco se equipara ao mercado e não precisa se “adequar” para competir com os bancos privados.

Bônus aumentará remuneração

Bônus é uma verba remuneratória que não se incorpora ao salário e não conta para o cálculo de FGTS, férias, 13º. O funcionário é iludido de que está ganhando mais com o bônus, mas, na ponta do lápis, ele perde. Além disso, é um “benefício” que o banco decide unilateralmente. Pode dar, ou tirar quando quiser e para quem quiser.

Meritocracia

As metas também são definidas unilateralmente pelo banco. Poucos funcionários conseguem cumpri-las, ainda mais que, com as mudanças, para fazer jus ao bônus, o funcionário precisará cumprir 120% da meta. O que o banco quer é pagar um adicional para executivos indicados pelo governo.

Retenção de talentos

O presidente do BB, Rubem Novaes, que quer privatizar o banco a qualquer custo, alega que o Banco do Brasil tem dificuldade de reter talentos. A verdade é que ele quer aumentar os salários de executivos de Brasília, nomeados pelo governo. Foram indicados pelo mercado ocupam cargos de confiança. Dos funcionários concursados, a proposta é reduzir os salários. A perda de remuneração pode chegar a 15%.

Fonte: Contraf-CUT

A direção da Caixa ignora o processo negocial com os trabalhadores e além de anunciar seu projeto de reestruturação limita prazos de inscrição para os empregados antes da data agendada pelo banco para tratar do assunto. Nesta segunda-feira (10), dois dias antes da mesa de negociação, o banco divulgou uma apresentação com as alterações e os prazos que no caso do regional é hoje até às 20h. A reunião de quarta-feira (12) foi agendada pela própria direção do banco público, em resposta aos ofícios enviados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) cobrando explicações e cumprimento da cláusula 48 do ACT sobre o processo de reestruturação, que exige prévia negociação.

“A Caixa marcou uma reunião conosco para quarta-feira, mas hoje solta essa apresentação na qual dá um prazo que os empregados interessados em mudanças na nova rede de varejo se manifestar entre hoje e amanhã? É um completo desrespeito com os empregados”, cobrou Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.

A reestruturação é um processo de descomissionamneto sumário, com novos processos seletivos e novos critérios, os empregados chamam de Revalida, que excluem quem está de licença maternidade, licença-médica ou de férias. Exclui também quem esteve de licença e não participou dos ciclos da Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) nos últimos períodos. Segundo a apresentação do banco será uma dança das cadeiras que os cargos superiores terão prioridade. Nesse processo a Caixa rebaixa os trabalhadores sem garantir lisura em nenhum processo e discriminando milhares de trabalhadores.

Estabilidade remuneratória

Bom lembrar que os empregados têm um direito que vem da constituição e que para os empregados foi firmado no normativo RH 151 que a direção do banco tentou revogar no dia 9 de novembro de 2017, véspera da entrada em vigor da reforma trabalhista. Mas ação da Contraf-CUT garantiu a manutenção por liminar do RH e do direito a incorporação de função para os trabalhadores que desempenharam por 10 anos, essa ação aguarda sentença e discute a incorporação da norma mais benéfica ao contrato de trabalho dos empregados.

Dia 13 vista preto para defender a Caixa e seus direitos

Na próxima quinta-feira (13), os empregados da Caixa se mobilizam no Dia Nacional de Luta contra a Reestruturação. “É fundamental que o maior número de empregados participe dessas mobilizações para debater o processo e encontrar formas de barrar essas mudanças que certamente estão impactando negativamente os trabalhadores, que serão afetados por mais uma reestruturação do banco. Está claro que a direção não respeita os empregados. Só unidos vamos mostrar nossa força”, convocou Dionísio Reis, coordenador da CEE/ Caixa. #ACaixaÉtodaSua

Fonte: Contraf-CUT

O banco Bradesco atendeu à solicitação da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações e sindicatos e pagará a parcela final da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) nesta terça-feira (11). A solicitação pela Contraf-CUT foi feita na quinta-feira (6).

A Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários estabelece que a PLR seja paga até o dia 3 de março.

Além do Bradesco, após a solicitação da Contraf-CUT, outros dois bancos já anunciaram as datas de pagamento da PLR. O Safra pagará no dia 20 e o Santander no dia 28.

O pagamento da PLR é uma conquista do movimento sindical, não é um benefício. A Contraf-CUT lançou uma campanha para informar a categoria sobre as conquistas obtidas pelo movimento e valorizar a atuação dos sindicatos. #FechaComAGente #QueroSin

Valores

Os valores são compostos pela soma da regra básica e da parcela adicional.

A regra básica corresponde a 90% do salário-base mais verbas fixas de natureza salarial. Além disso, soma-se também um valor fixo de R$ 2.457,29. O valor individual limita-se a R$ 13.182,18. Se o total apurado na aplicação da Regra Básica ficar abaixo de 5% do lucro líquido apurado no exercício de 2019, o valor será majorado até que se atinja esse percentual ou será pago 2,2 salários do empregado, com limite de R$ 29.000,77, o que ocorrer primeiro.

A parcela adicional é a divisão linear de 2,2% do lucro líquido apurado em 2019, dividido pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras da CCT, em partes iguais, até o limite individual de R$ 4.914,59.

Os valores individuais relativos à parcela adicional não são compensáveis com valores devidos em razão de planos específicos, mas aqueles referentes à regra básica podem, dependendo do que é definido pelo acordo específico do banco.

Lembrando que se trata da segunda parcela. Portanto, são descontados os valores pagos na antecipação.

Fonte: Contraf-CUT

A 13ª Vara do Trabalho de Brasília julgou procedente o pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e manteve o direito à incorporação da gratificação de função aos empregados da Caixa Econômica Federal que mantiveram tal gratificação por 10 anos ou mais, conforme prevê o normativo RH 151. A decisão tomada nesta segunda-feira (10) contempla os contratos de trabalho de todos os empregados prejudicados pela revogação do normativo, que permaneciam no banco até 09/11/2017, desde que preenchidos os requisitos da norma.

“É uma decisão importante que garante o direitos dos empregados e, mais do que isso, mostra que o banco não pode tomar medidas unilaterais contra os empregados e em total desrespeito à legislação vigente”, explicou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Dionísio Reis, lembrando ainda do processo de reestruturação pelo que passa o banco.

Motivos descomissionamento

Na prática, os empregados com mais de 10 anos de gratificação de função descomissionados pelos motivos 8 (a critério da gestão), 10 (reestruturação) e 12 (fim da unidade) têm administrativamente sua incorporação garantidas.

Histórico

No final de 2017, a Caixa revogou o normativo RH 151, o que ocasionou a limitação da incorporação de gratificação de função apenas aos empregados “descomissionados” até o dia 09/11/2017, desde que a dispensa ocorresse imotivadamente e o empregado contasse com 10 anos ou mais de função.

A Contraf-CUT ingressou com a ação coletiva denunciando a revogação do RH 151 e com mandato de segurança para que o respectivo normativo interno fosse mantido. A liminar foi concedida, em 2018, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região.

A decisão contempla todos os empregados da base territorial da Contraf-CUT. A Caixa ainda pode recorrer da sentença.

Fonte: Contraf-CUT

Na primeira reunião de 2020, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, confirmou as expectativas do mercado e reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 4,25% ao ano. A decisão foi unânime e põe fim ao ciclo de redução da taxa, iniciado em julho do ano passado.

O comitê entende que essa decisão reflete uma situação compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, com peso crescente, o de 2021.

A decisão foi estimulada pelos dados de atividade econômica divulgados desde a última reunião, que para o órgão indicam a continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira.

“No cenário externo, apesar do recente aumento de incerteza, o caráter acomodatício da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes”, afirma o comitê em nota.

As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,4%, 3,75% e 3,5%, respectivamente.

No cenário híbrido com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$ 4,25/US$, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,5% para 2020 e 3,7% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 4,25% a.a. e se eleva até 6,00% a.a. em 2021.

Fonte: Rede Brasil Atual

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciou nesta quinta-feira (6) redução em 0,25 ponto percentual taxa básica de juros, a Selic, para 4,25% ao ano. Para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, esse novo corte indica que a atividade economia no país ainda praticamente “parada”, muito aquém do necessário para reativar o mercado formal de trabalho, que permanece com elevada taxa de desemprego.

O corte é positivo, segundo Fausto, porque reduz o custo do financiamento da dívida pública. Ele também espera que a redução da Selic contribua para a migração dos investimentos para o setor produtivo, o que poderia contribuir efetivamente para a retomada da atividade econômica, já que os títulos emitidos pelo Tesouro, remunerados pela taxa Selic, passam a ficar menos atraente aos investidores.

“Quando a Selic começa a ficar muito baixa, próxima à inflação, o investidor precisa buscar outros ativos, outros investimentos. O que se espera é que esses outros investimentos possam caminhar para o setor produtivo. Por exemplo, se caminha para os títulos imobiliários, vai ajudar a reativar a construção civil”, afirmou Fausto à jornalista Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual, nesta sexta-feira (7).

Para o consumidor, o corte na Selic tem impacto reduzido, porque as taxas de juros cobradas pelos bancos – cartão de crédito e cheque especial, por exemplo – não caem na mesma medida. O crédito caro inibe o consumo, o que também é um obstáculo para a retomada do emprego. O possível efeito negativo, segundo Fausto, é que se os investidores decidirem sair dos títulos públicos, o governo pode ter problemas para financiar a sua dívida.

“O Brasil está crescendo muito aquém do que deveria, e certamente muito aquém daquilo que o trabalhador precisa. A taxa de desemprego segue muito alta. É importante que a taxa de juros continue baixa e que o deslocamento do investimento saia do mercado financeiro e possa chegar no mundo real. É a aposta que a gente espera e gostaria de ver. Por outro lado, há  questões muito mais complicadas do ponto de vista macroeconômico. O governo, afinal de contas, tem que financiar a sua dívida. Se o investidor começa a sair do Tesouro, alguém tem que pagar a conta. Para isso, o governo aposta na venda do patrimônio público, com privatizações, para cobrir esse buraco”, afirmou o diretor do Dieese.

Fonte: Rede Brasil Atual

Em 2019, o desemprego parou de cair, mas se manteve em nível elevado, com o mercado de trabalho indicando precariedade ao abrir vagas não formais, com menor grau de proteção. De cada 10, de sete a oito são informais, observa o economista Sérgio Mendonça, ex-secretário de Recursos Humanos e ex-diretor-técnico do Dieese.

Se os resultados de 2019 foram menos ruins, a comparação com 2014 mostra que o país piorou. O número médio de desempregados, por exemplo, passou de 6,699 milhões para 12,575 milhões, crescimento de 87,7%, conforme  os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.

No mesmo período, foram abertas 1,752 milhão de vagas, para um total de 93,390 milhões de ocupados. Mas o que aumentou, de fato, foi o emprego no setor privado sem carteira assinada e o trabalho por conta própria. De 2014 a 2019, segundo o IBGE, o país eliminou 3,231 milhões de empregos com carteira (-8,9%), abrindo 3,038 milhões de vagas por conta própria (14,3%) e 1,267 milhão de ocupações sem carteira (12,3%).

Para Mendonça, hoje apenas os juros, em baixa, representam um fator de estímulo para o crescimento. Além da dificuldade de recolocação no mercado de trabalho, ele observa que a recente “reforma” da Previdência, aprovada no ano passado, é “anticonsumo”.

Ele acredita que pode haver algum crescimento neste ano, em torno de 2% a 2,5%, “na ausência de um choque externo”, ressalta. “É provável que eles queimem as reservas para segurar o câmbio, como estão fazendo. Temos fôlego para uma pressão cambial de curto prazo. O investimento privado não está acontecendo, a não ser pontualmente.” A construção civil mostra certa recuperação, mas o economista questiona se haverá demanda para os novos apartamentos. “Pode ser uma bolha.”

Mesmo o emprego formal, que teve certa expansão em 2019 (saldo de 644 mil vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia), deve parte dessa alta ao trabalho intermitente e parcial, com menor proteção. E os salários de quem entra no mercado são menores que os daqueles que saem. Mendonça observa que isso ocorre historicamente, mas faz uma ressalva: “A diferença está alargando”.

 

Mercado de trabalho 2014/2019
 
* Ocupados
91.638.000
93.390.000
+ 1,9%
 
* Desempregados
6.699.000
12.575.000
+ 87,7%
 
* Empregados com carteira
36.450.000
33.219.000
-8,9%
 
* Empregados sem carteira
10.313.000
11.579.000
+12,3%
 
* Trabalhador por conta própria
21.183.000
24.221.000
+14,3%
 
Setores 2014/2019
 
* Construção
Menos 1,1 milhão de ocupados
 
* Agricultura/pecuária
Menos 1,8 milhão
 
* Indústria
Menos 1,2 milhão
 
* Comércio/reparação de veículos
Estável
 
* Administração pública/seguridade/educação
Mais 1,3 milhão
 
Fonte: Rede Brasil Atual